No início do ano letivo, após as férias de verão no meio do ano, país intensifica discussões em torno de como lidar com celulares. Experiências em algumas cidades indicam bons resultados, embora não agradem a muitos.No primeiro dia de aula após as férias de verão, Klara Ptak quase esqueceu o celular em casa. Talvez esta seja a melhor prova de que a representante estudantil do escola Dalton de ensino médio em Alsdorf, no estado alemão da Renânia do Norte-Vestfália, já tenha assimilado que não precisa mais do aparelho durante as aulas. Desde o final de abril, a escola proibiu rigorosamente o uso de celulares para todas as séries.

“Não consigo mais verificar meu celular de forma intermitente e enviar uma mensagem rapidamente durante o recreio. No início, vários alunos perguntavam qual era o sentido [da proibição], mas com o tempo, muitos perceberam que não era tão ruim e, na verdade, tinha muitos aspectos positivos.”

As opiniões, no entanto, não foram unânimes. “Os professores, em sua maioria, acham muito bom, os alunos mais novos aceitam, mas os mais velhos não estão tão satisfeitos.”

A Dalton é uma das muitas escolas na Alemanha que não querem mais permanecer indiferentes ao uso massivo de celulares por seus alunos. Após o feriado da Páscoa, o conceito “Smart sem fone” foi introduzido como teste; desde então, os celulares devem obrigatoriamente permanecer nas mochilas escolares do início ao fim das aulas. Se um aluno for flagrado com seu smartphone, somente os pais poderão retirar o aparelho na secretaria da escola no dia seguinte.

“Um total de 51 celulares foram apreendidos, o que é um resultado impressionante para uma escola com 700 alunos”, diz Ptak. “Agora é possível ver que, especialmente as crianças mais novas, que antes ficavam em círculo olhando para seus celulares, agora estão jogando futebol, badminton ou jogos de tabuleiro juntas. É uma grande mudança.”

Proibições geram debates acalorados

O controverso debate sobre o uso de smartphones nas escolas surgiu na Alemanha, em parte, porque não há uma regulamentação nacional padronizada. As discussões giram em torno da proibição ou da confiança.

A Academia Leopoldina de Ciências propõe a proibição do uso de celulares até o décimo ano – de um máximo de treze no currículo escolar alemão – e recomenda manter crianças menores de 13 anos longe da internet e das redes sociais. O comissário federal da Alemanha encarregado do combate ao vício e às drogas, Hendrik Streeck, também defende limites de idade graduais para as redes sociais, mas se opõe à proibição de celulares.

A Conferência Federal de Estudantes da Alemanha também rejeita a proibição geral dos smartphones. Em vez disso, defende a promoção ativa da alfabetização midiática nas escolas.

E os pais? Eles certamente se incomodam bastante com o tema dos celulares. Uma pesquisa realizada pelo instituto de pesquisa de opinião Forsa, em nome da Fundação Körber, constatou que o maior fator de estresse para pais de crianças entre 12 e 18 anos é o consumo de mídia por seus filhos.

Medida recebida amplamente de forma positiva

O diretor da escola Dalton em Alsdorf, Martin Wüller, tem impulsionado a ideia da proibição do uso de celulares ao mesmo tempo em que promove a digitalização em sua escola, com um tablet escolar para todos a partir da sétima série. Wüller fala com orgulho sobre os resultados do projeto, que sua equipe avaliou detalhadamente com alunos, pais e professores.

Dos professores, 90% apoiam a proibição, observando uma melhora significativa no comportamento social e na concentração dos alunos, especialmente entre os mais jovens.

A maioria dos alunos das séries iniciais (com até cerca de 13 anos) também considera a proibição muito sensata, enquanto apenas os jovens de 16 a 19 anos das séries mais avançadas permanecem bastante céticos. Já entre os pais, 85% apoiam a proibição, afirmando que veem seus filhos como mais independentes e ressaltando uma melhora na comunicação, mesmo em casa.

“Os pais de crianças menores, em particular, são gratos pela proibição aos celulares e elogiam nossa iniciativa, dizendo ‘graças a Deus, é a mesma coisa na escola de ensino fundamental”, disse Wüller à DW. Ele gostaria que os pais adotassem uma abordagem mais consistente em relação ao uso do celular por seus filhos. “Não podemos compensar tudo o que não funciona em casa. Sempre enfatizamos que não precisamos apenas nos unir aos pais, mas, idealmente, ir também na mesma direção.”

Alunos do quinto ano sem acesso às redes sociais

Em Solingen, cerca de 100 quilômetros a leste de Alsdorf, está sendo dando um passo adiante com um projeto único na Alemanha. A partir deste ano letivo – iniciado no final de agosto – todos os alunos do quinto ano da cidade serão completamente banidos das redes sociais. Alunos de 10 e 11 anos também irão viver sem Instagram, Snapchat e TikTok em casa. A ideia surgiu de Burkhard Brörken, ex-diretor de escola e agora atual chefe de educação do governo distrital de Düsseldorf.

“Solingen é um lugar especial porque conseguimos rapidamente a adesão dos diretores de todas as 13 escolas do ensino médio, e até mesmo as escolas para alunos com necessidades especiais estão participando do projeto”, ressaltou. “Assim, iniciamos uma parceria educacional única entre escolas, pais e alunos.”

Isso significa que todos assinaram uma carta de intenções por escrito, comprometendo-se a implementar o projeto em conjunto por um ano. O acordo, obviamente, não é juridicamente obrigatório, enfatiza Brörken. Isso é importante para ele, uma vez que se trata apenas de uma recomendação ou oferta de serviço e, de forma alguma, uma tentativa da escola de interferir na educação dos pais.

“Muitos pais com quem conversamos também reconhecem o problema dramático do comportamento de risco no uso de celulares e nos perguntaram por que estamos fazendo isso só agora. Mas quando as crianças dizem, com razão ‘você está me isolando, eu sou a única que não tem celular, todos os meus amigos têm’, isso só pode ser resolvido com coordenação social. É quase impossível para os pais fazerem isso sozinhos.”

Pais querem mais clareza e regras mais uniformes

Alev Kanowski também está familiarizada com essas discussões. Sua filha, de nove anos, foi uma das últimas da turma a receber um celular. A tendência para o uso de smartphones já começa no ensino fundamental, disse Kanowski à DW. A pressão para que a criança não se torne excluída é enorme. Agora, sua filha é uma das novas alunas do quinto ano em Solingen e, a princípio, não estava nada entusiasmada com a proibição das redes sociais.

“Só quando explicamos a ela como as crianças se distraem com celulares no dia a dia e como elas não podem mais ser abordadas é que ela cedeu.” Kanowski gostaria de obter mais esclarecimentos sobre o assunto.

“Como mãe, às vezes me sento sobrecarregada, especialmente com a pressão de quando permitir o primeiro celular e o acesso às redes sociais. Projetos como esse deveriam ser implementados em diversos lugares para proporcionar às crianças uma infância despreocupada e sem distrações.”

O projeto será avaliado nos próximos meses e contará com o apoio de 50 observadores de mídia treinados nas escolas: alunos de 12 a 14 anos, que se aproximam em termos de idade das preocupações dos alunos do quinto ano e devem protegê-los dos perigos online. Burkhard Brörken espera que a proibição das redes sociais seja bem recebida. Seu diagnóstico é o de que as crianças estão pior do que antes.

“Estamos lidando com muito mais crianças e jovens nas escolas que sofrem de depressão e transtornos de ansiedade. Este é um fenômeno que não existia com tanta frequência há dez anos e agora atingiu verdadeiramente todas as escolas. A pandemia de covid-19 foi o combustível, mas a chama já estava lá.”