31/01/2026 - 18:56
Com gasto bilionário, país investe mais em defesa do que nunca, encomendando novos armamentos em larga escala para sua Bundeswehr. Drones e armas a laser estão entre as principais aquisições.As Forças Armadas alemãs (Bundeswehr) estão gastando generosamente este ano: mais de 108 bilhões de euros (R$ 670 bilhões) estão à sua disposição – uma soma gigantesca e sem precedentes. Esse valor está sendo financiado pelo orçamento federal corrente e por fundos especiais para os quais o governo está contraindo empréstimos.
Esse dinheiro visa tornar a Bundeswehr novamente apta para o combate, após décadas de subfinanciamento. O objetivo é alcançar isso o mais rápido possível. O chanceler federal alemão, Friedrich Merz, disse em maio que a Alemanha terá as Forças Armadas mais fortes da Europa. O ministro alemão da Defesa, Boris Pistorius, teme que a Rússia possa ser capaz de lançar um ataque contra o território da Otan já em 2029.
O que a Bundeswehr está comprando com esses bilhões? E quão eficaz está sendo esse rápido rearmamento? Eis alguns exemplos notáveis:
Drones de combate
A Bundeswehr evitou por muito tempo os drones de combate – não havia maioria política para sua compra. Mas isso mudou com a guerra na Ucrânia, onde os drones se mostraram decisivos. Pela primeira vez em sua história, as Forças Armadas alemãs estão encomendando vários milhares de drones de combate este ano.
No processo de licitação, empresas de tecnologia jovens estão na liderança: a startup Stark Defence, sediada em Berlim, e a Helsing, de Munique, estão cotadas para receber contratos de até 300 milhões de euros cada. Os protótipos da concorrente Rheinmetall , no entanto, não impressionaram os inspetores das Forças Armadas.
A compra consistirá em drones kamikaze, conhecidos no jargão técnico como “munições de ataque de precisão”. Equipados com uma ogiva, esses drones bombardeiam seus alvos em mergulho e se autodestroem no processo. Entre outras, a brigada das Forças Armadas alemãs estacionada na Lituânia, que está sendo mobilizada para melhor proteger o flanco leste da Otan, será equipada com eles.
Defesa contra drones ainda insuficiente
A Bundeswehr também precisa avançar em termos de defesa contra drones. Um conjunto diversificado de armas defensivas visa suprir essas lacunas. O leque de opções varia de bloqueadores de sinal ao tanque antiaéreo Skyranger 30, capaz também de combater enxames de drones.
O Skyranger, produzido pela empresa de defesa Rheinmetall, é aguardado com especial urgência, visto que sobrevoos de drones suspeitos na Alemanha, inclusive sobre propriedades da Bundeswehr, estão se tornando cada vez mais comuns. No entanto, sua entrega está prevista apenas para 2028. O Skyranger será o principal sistema de armas da recém-reativada unidade de defesa aérea do Exército, que fora desativada em 2012 por não ser mais considerada necessária na época.
As armas a laser recentemente desenvolvidas também se destinam à defesa contra drones, e a Marinha alemã agora planeja adquiri-las. Uma dessas armas a laser, desenvolvida pelas empresas de defesa Rheinmetall e MBDA, já concluiu a fase de testes. Ela também consta na lista de aquisições da Bundeswehr.
Grandes encomendas a empresas americanas
Embora a Bundeswehr adquira seus novos equipamentos principalmente de empresas de defesa alemãs e europeias, algumas grandes encomendas são destinadas a empresas americanas. Um exemplo é a encomenda do caça furtivo F-35A, considerado a aeronave de combate mais avançada do mundo. O governo alemão encomendou 35 dessas aeronaves à gigante americana da defesa Lockheed Martin. O custo total, incluindo armamento e peças de reposição, é de quase 10 bilhões de euros.
Uma das razões para essa escolha: em caso de crise, os F-35 podem ser armados com bombas nucleares americanas. Essa função era anteriormente desempenhada pelos caças Tornado da Bundeswehr, que serão desativados em breve devido à sua idade. A frota alemã de F-35 passará, assim, a fazer parte do guarda-chuva nuclear da Otan sobre a Europa.
Além disso, as Forças Armadas alemãs estão adquirindo 60 helicópteros de transporte pesado CH-47 Chinook da empresa aeroespacial e de defesa americana Boeing. A Força Aérea afirma que não existe nenhum produto concorrente na Europa que ofereça esse nível de capacidade. O custo: 7,3 bilhões de euros.
A Boeing também é a fabricante da aeronave de patrulha marítima P-8A Poseidon, que, graças à tecnologia de sensores de última geração, pode monitorar grandes áreas do mar e detectar submarinos. A primeira aeronave foi entregue à Marinha alemã no ano passado. De acordo com o ministro alemão da Defesa, Boris Pistorius, a aeronave de patrulha marítima poderá ser a contribuição da Alemanha para aprimorar a vigilância das águas ao redor da Groenlândia como parte de uma missão da Otan .
Projeto de IA Uranos
A inteligência artificial (IA) tornou-se indispensável nos modernos sistemas de armas. A crescente importância da IA é demonstrada pelo projeto “Uranos AI”, com o qual será equipada a brigada das Forças Armadas alemãs na Lituânia.
Grandes áreas no flanco leste da Otan precisam ser monitoradas com precisão – e é aí que a IA entra em ação. Ela visa auxiliar na análise de grandes quantidades de dados coletados por diversos sensores. Isso poderia, por exemplo, facilitar a detecção de drones inimigos. O Ministério da Defesa da Alemanha mantém os detalhes do projeto em segredo por um bom motivo.
Fragata F126: de projeto de prestígio a problema
O caso da fragata F126 mostra que nem todos os grandes contratos dispendiosos transcorrem sem problemas. Embora o projeto do maior navio de guerra da Marinha tenha sido inicialmente celebrado com euforia, a desilusão rapidamente se instalou durante a construção: o principal contratante, o estaleiro holandês Damen Naval, não conseguiu implementar os planos. Segundo relatos da mídia, cerca de 1,8 bilhão de euros já foram investidos na F126. Políticos da oposição temem que o projeto possa se tornar um “ralo de dinheiro”.
Agora, a empresa alemã Naval Vessels Lürssen (NVL) assumirá o contrato e tentará aproveitar o que ainda for possível. No entanto, como a Marinha precisa urgentemente de novas fragatas devido aos compromissos da Otan, uma solução provisória está sendo planejada: as Forças Armadas alemãs pretendem adquirir fragatas adicionais da classe Meko A-200 da TKMS, o maior estaleiro naval da Alemanha. Como esse modelo já foi construído para exportação, os planos estão finalizados. Mas essa “solução provisória” naturalmente tem um custo adicional – o Bundestag já aprovou 7,8 bilhões de euros extras para o caso no ano passado.
Uniformes novos
No final do ano passado, o Bundestag também aprovou uma quantia substancial para novos uniformes e equipamentos pessoais – para um total de 460 mil soldados. Os críticos questionaram se isso não era excessivo. Afinal, a Bundeswehr atualmente conta com apenas 184 mil soldados. Mas está previsto um crescimento significativo – incluindo a reserva – para 460 mil homens e mulheres. Embora isso possa levar anos, certamente haverá uniformes de combate suficientes para todos.
