Grupo radical reivindicou a autoria de ataque que deixou dezenas de milhares sem luz e aquecimento durante o inverno na capital alemã.Das 45 mil residências afetadas em Berlim pelo ataque realizado no sábado contra uma central termoelétrica, 25,5 mil ainda continuavam sem energia nessa terça-feira (06/01). As autoridades preveem que, devido à extensão dos danos, só na quinta-feira o fornecimento de energia esteja normalizado para todos os domicílios e estabelecimentos comerciais prejudicados.

Segundo as autoridades de segurança, o ataque a uma central termelétrica a gás no sudoeste da capital alemã foi meticulosamente planejado. Cabos de energia foram destruídos deliberadamente por meio de dispositivos incendiários, deixando muitos domicílios sem luz, aquecimento e água quente em pleno inverno, ruas às escuras, linhas ferroviárias interrompidas e causando extensas interrupções na internet. Berlim está coberta de neve e a previsão para esta quarta-feira é de mínima de -10 °C, o que agrava ainda mais a situação dos moradores sem aquecimento.

Nesta terça-feira, promotores federais alemães anunciaram que os suspeitos pelo ataque serão investigados por “pertencimento a uma organização terrorista, sabotagem, incêndio criminoso e interrupção de serviços públicos”. A responsabilidade foi reivindicada por uma rede extremista de esquerda conhecida como Grupo Vulcão. A polícia e a administração de Berlim consideram a reivindicação verdadeira.

O grupo afirma ter “sabotado com sucesso” a usina a gás de Lichterfelde. Através de um comunicado, o grupo justifica seus motivos em termos ecológicos radicais, acusando a sociedade de exaurir e destruir o planeta em sua busca por energia. Eles afirmam que os apagões generalizados não eram o resultado pretendido; em vez disso, o objetivo era atacar a indústria de combustíveis fósseis.

Especialistas, no entanto, alertam que o ataque criou um sério risco para civis não envolvidos – incluindo a possibilidade de mortes em hospitais onde equipamentos médicos ficaram sem energia.

Alerta contra radicais de esquerda

O serviço de inteligência interna da Alemanha monitora o Grupo Vulcão há anos, mas tanto a composição quanto a estrutura organizacional do grupo permanecem obscuras. Acredita-se que ele opere de forma descentralizada, sendo classificado como “orientado para a violência” numa avaliação mais recente das autoridades.

Em dezembro, o chefe da agência de inteligência interna alemã, o Departamento Federal de Proteção da Constituição (BfV), Sinan Selen, alertou sobre “desenvolvimentos preocupantes” no extremismo de esquerda em uma entrevista ao jornal Die Welt.

O relatório de inteligência interna afirma: “Em Berlim e Brandemburgo, os chamados grupos Vulcão vêm realizando ataques incendiários contra pontos críticos de infraestrutura em intervalos irregulares desde 2011, frequentemente com sensíveis impactos ​​na população.”

Tesla de Musk é alvo frequente

Diversos ataques às instalações da Tesla na Alemanha atraíram considerável atenção nos últimos anos. Em maio de 2021, autores desconhecidos realizaram um ataque incendiário à fábrica da empresa em Grünheide, nos arredores de Berlim. O incidente mais grave ocorreu em março de 2024 , quando a destruição de um poste de alta tensão paralisou a produção e deixou cidades próximas sem energia por dias.

Um grupo Vulcão também reivindicou a autoria do ataque. Relatórios de inteligência descrevem a justificativa ideológica do grupo: a Tesla é retratada como um símbolo de um suposto “sistema totalitário” que deve ser combatido devido à sua expansão tecnológica, impacto ambiental e suposta opressão da população.

Os ataques extremistas de esquerda não se limitam a instalações industriais. Em 2020, o Grupo Vulcão reivindicou a autoria de um ataque incendiário ao Instituto Fraunhofer de Telecomunicações de Berlim, o Instituto Heinrich-Hertz, acusando-o de contribuir para o desenvolvimento de um aplicativo de rastreamento da covid-19. Segundo o serviço de inteligência de Berlim, tais atos de sabotagem visam expor a vulnerabilidade da infraestrutura urbana, perturbar a ordem pública e causar danos materiais significativos.