23/01/2026 - 11:49
Um vídeo gravado no coração da Floresta Amazônia tem viralizado nas redes sociais por mostrar uma tarântula-golias (Theraphosa blondi) dominada por um fungo Cordyceps caloceroides. O organismo ficou conhecido nos últimos anos devido à série “The Last of Us”, que se inspira na capacidade real do fungo de afetar o sistema nervoso central de artrópodes para criar um universo distópico no qual humanos se transformam em zumbis após serem infectados.
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O parasita e seu hospedeiro foram identificados por Lara Fritzsche, uma estudante de Ciências Ambientais da Universidade de Copenhague, durante atividades de coleta do curso intensivo de micologia Tropical Mycology Field Course. O evento, que foi organizado pelo biólogo João Paulo Machado de Araújo, professor da Universidade de Copenhague, reuniu especialistas da Dinamarca e do Brasil na Reserva Ducke, próxima de Manaus.
+ Saiba como atua o fungo zumbi que inspirou a série ‘The Last of Us’
Elisandro Ricardo Drechsler-Santos, pesquisador da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), realizou o registro das imagens que somam mais de 2,1 milhões de visualizações no Instagram. No vídeo, o especialista mostra que a aranha, de coloração natural marrom-dourado, está coberta por uma estrutura fúngica vermelha rígida, com pontas laranjas.
De acordo com o pesquisador, essa representa a fase final do ciclo de vida do fungo, quando ele já havia consumido todos os tecidos internos da tarântula e emergido do seu corpo, preparando-se para se reproduzir assexuadamente por meio da esporulação.
Depois, os esporos serão liberados para infectar outras aranhas gigantes da Amazônia. Apesar do impacto visual, o fenômeno é natural e esperado em ambientes biodiversos, mesmo sendo difícil documentá-lo.
O fungo não infecta humanos
Na série “The Last of Us”, o parasita fictício retratado é uma espécie mutante do gênero Cordyceps sp., que evoluiu ao ponto de conseguir infectar seres humanos e dominar suas mentes, tornando-os em verdadeiros zumbis. O mecanismo foi inspirado na maneira real do fungo, que consegue controlar invertebrados, em especial, artrópodes, como formigas, lagartas, besouros, grilos e aranhas.
O Cordyceps sp. chega ao organismo dos parasitas por meio dos seus esporos microscópicos que aderem ao exoesqueleto do hospedeiro. Depois da germinação, o fungo penetra o corpo por ação mecânica e enzimática e passa a se desenvolver internamente.
Estudos recentes apontam que o fungo envolve o cérebro e os gânglios nervosos e libera um coquetel de metabólitos secundários (como alcaloides, peptídeos e compostos neuroativos), que interfere na comunicação entre neurônios e músculos.
Com isso, o hospedeiro passa a ter comportamentos anormais altamente específicos, com o intuito de favorecer a reprodução do fungo. “Há cerca de 600 variações desses fungos no mundo, mas nenhuma delas, até o momento, se apresentou capaz de infectar seres humanos. De modo geral, nós podemos manusear os fungos sem grandes riscos. O que a gente não pode é ingerir aquilo que a gente não conhece”, explicou Drechsler-Santos.
