30/01/2026 - 7:23
Anúncio veio após críticas de inação ao governo de Javier Milei, que subiu ao palco com ex-namorada comediante para cantar e dançar enquanto governadores da região pediam recursos para conter chamas.O governo da Argentina anunciou que decretará estado de emergência devido ao avanço dos incêndios que já destruíram mais de 45 mil hectares de florestas na região da Patagônia desde o início do ano.
O chefe de Gabinete do presidente Javier Milei , Manuel Adorni, publicou na rede social X, na quinta-feira (29/01), que o decreto de necessidade e urgência vai abranger as províncias de Chubut, Río Negro, Neuquén e La Pampa, facilitando o envio de recursos para prevenir e conter as chamas.
Os governadores dos estados patagônicos haviam manifestado na terça-feira que “a magnitude dos incêndios” exige “ferramentas excepcionais” – num contexto de mudanças nas condições climáticas e redução dos recursos estatais para prevenção de desastres ambientais.
O governo Milei é criticado pelo corte de verbas para os parques nacionais e o desmantelamento de órgãos e políticas ambientais, o que prejudicaram a capacidade de prevenção e resposta diante da tragédia.
A dança de Milei
O governo federal liberou ainda na quinta-feira 100 bilhões de pesos (aproximadamente R$ 360 milhões) às associações de bombeiros voluntários que combatem os incêndios e à Agência Federal de Emergências.
A resposta tardia de Milei veio após a repercussão negativa da participação do presidente em apresentação de sua ex-namorada, a comediante Fátima Florez, em teatro em Mar del Plata, na noite de terça-feira, durante evento organizado pela direita argentina chamado La Derecha Fest.
Até então, mesmo em meio à tragédia que tem destruído áreas de preservação e colocado em risco a população e brigadistas, ele havia negado o envio de verbas, enquanto destacava em suas redes sociais a “histórica luta contra o fogo” do governo.
Organizações ambientalistas têm protestado nas últimas semanas contra o corte de financiamento por parte do governo federal às políticas de prevenção, alerta precoce e gestão do fogo, assim como às políticas que poderiam reduzir os impactos das mudanças climáticas.
Andrés Nápoli, diretor executivo da Fundação Ambiente e Recursos Naturais (Farn), alertou, em entrevista à agência de notícias EFE, que o Executivo gastou no último ano apenas 75% do orçamento destinado ao manejo do fogo e que os fundos nacionais aprovados pelo Congresso para prevenir e combater incêndios florestais foram reduzidos em 71% em 2026.
“Os legisladores que representam as províncias afetadas pelos incêndios aprovaram essas reduções por um acordo global com o governo”, destacou Nápoli.
O dinheiro liberado na quinta será destinado à “compra de equipamentos, materiais, uniformes e outros itens destinados ao combate a incêndios e à proteção civil da população, bem como à conservação e manutenção em perfeito estado e condições de uso dos mesmos”, como define o texto que autoriza a liberação dos recursos.
Fogo fora de controle
O Parque Nacional Los Alerces, uma floresta andina em Chubut com lagos de origem glacial, é o mais afetado, com 20 mil hectares incendiados, de acordo com o último balanço.
O foco desse incêndio começou com a queda de um raio em 9 de dezembro dentro dos limites do parque nacional, mas nas últimas semanas saiu de controle e se alastra pelo norte de Cholila, cidade com 2.800 habitantes cercada pelo fogo.
Bombeiros e brigadistas relatam não conseguir conter o avanço das chamas em direção às áreas residenciais vizinhas. “Estou há 15 anos no corpo de bombeiros e é a primeira vez que vejo um incêndio queimando dessa maneira. (…) Não damos conta”, disse à agência de notíciasAFP Manuel, um dos bombeiros que atuam na região.
O Serviço Nacional de Manejo do Fogo decretou até esta sexta-feira o alerta vermelho de risco de incêndios na região, que continuará com altas temperaturas e ventos fortes.
O outro incêndio florestal que assola a província de Chubut abrange cerca de 22 mil hectares entre a região de Puerto Patriada e a localidade de Epuyén, ameaçando áreas residenciais.
sf/cn (AFP, EFE, ots)
