03/04/2025 - 12:04
Duas estátuas de mármore que representam um homem e uma mulher vestidos de toga quase em tamanho real foram descobertas por arqueólogos durante as escavações de uma tumba em Pompeia, na Itália. Conforme os pesquisadores, o achado permite a elaboração de novas hipóteses sobre a posição de poder de sacerdotisas na cidade romana, destruída em 79 d.C. pela erupção do Vesúvio.
De acordo com os arqueólogos, a escultura da mulher é mais alta do que a do homem ao seu lado e conta com a representação de joias, brincos, pulseiras, anéis e um colar com pingente de lua crescente. Os itens identificados na estátua eram comumente utilizados por sacerdotisas do culto a Ceres, deusa da fertilidade, agricultura e das relações maternais. As informações são da “CNN Science”.
+ Esqueleto revela detalhes da vida cultural em Pompeia
+ Análise de DNA levanta a hipótese de que ‘As duas donzelas’ de Pompeia formavam casal homossexual
Segundo o estudo, o pingente de lua crescente era usado pelas sacerdotisas para afastar as “forças do mal” desde o nascimento até o casamento, além de ter uma ligação com a fertilidade da terra e com a influência de ciclos lunares na agricultura.
Ainda, a escultura da mulher também segura um rolo de papiro e folhas de louro, usadas para purificar e abençoar locais religiosos. Os adornos da estátua sugerem que a “sacerdotisa” era mais importante do que o homem ao seu lado, indicando que o sujeito poderia representar não necessariamente um marido, mas também uma outra figura religiosa ou um filho.
Conforme os arqueólogos, as imagens representam relevos funerários confeccionados entre os séculos I a.C. e I d.C. O estudo sugere que as esculturas datam do final da República Romana, entre 133 e 31 a.C.
Para Llorenç Alapont, pesquisador que lidera a escavação chamada de “Projeto de Pesquisa Investigando a Arqueologia da Morte em Pompeia”, iniciada em julho de 2024, “está claro” que as esculturas ilustram figuras religiosas que cultuavam Ceres. “Esta estátua fornece novas evidências da importância do culto na cidade”, pontuou.
“O culto a Ceres esteve ligado às classes populares. No entanto, a ostentação do relevo sugere que a posição de sacerdotisa ainda era reservada às mulheres pertencentes a uma camada social relativamente elevada”, concluiu Alapont.