04/02/2026 - 16:52
No centro das ambições de Adolf Hitler para a transformação de Berlin na capital mundial “Germânia”, estava a construção de monumentos em escala sem precedentes. Entre os projetos mais audaciosos figurava um Arco do Triunfo monumental, projetado para ser quatro vezes maior que o Portão de Brandemburgo. No entanto, a viabilidade técnica da obra esbarrou na geologia da cidade: o solo arenoso e pantanoso da capital alemã.
Para validar a sustentação de tais estruturas, o arquiteto-chefe do regime, Albert Speer, ordenou em 1941 a construção do Schwerbelastungskörper (corpo de carga pesada). O cilindro maciço, composto por 12 mil toneladas de concreto e erguido por prisioneiros de guerra franceses em regime de trabalho forçado, serviu como um simulador de pressão sobre o terreno.
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Resumo
O projeto “Germânia” previa transformar Berlin em uma capital monumental, com estruturas quatro vezes maiores que o Portão de Brandemburgo;
Para testar a resistência do solo arenoso da cidade, o arquiteto Albert Speer construiu o Schwerbelastungskörper, um bloco de concreto de 12 mil toneladas;
A estrutura foi erguida por prisioneiros de guerra franceses sob regime de trabalho forçado em 1941;
O afundamento de 19 centímetros do bloco condenou tecnicamente as ambições arquitetônicas de Adolf Hitler antes mesmo do desfecho da guerra.
O veredito do solo
Os cálculos de Speer indicavam que, para o projeto do arco prosseguir sem reforços estruturais proibitivos, o cilindro não poderia afundar mais do que seis centímetros. Contudo, em menos de três anos, a estrutura cedeu cerca de 19 centímetros. O resultado técnico foi inequívoco: o solo de Berlin não suportaria a carga monumental pretendida pelo ditador, enterrando a viabilidade da “Germânia” antes mesmo da derrota militar em 1945.
Monumento à falência de um projeto
Diferente de outros vestígios do regime, o Schwerbelastungskörper nunca foi demolido. Localizado no distrito de Tempelhof-Schöneberg, o bloco é pesado demais para ser removido e sua implosão colocaria em risco as residências vizinhas.
Hoje, a estrutura é protegida como monumento histórico e serve como uma “relíquia tangível” do planejamento urbano nazista. Longe de representar o triunfo pretendido, o cilindro de concreto permanece como um testemunho silencioso da falha técnica e da brutalidade da exploração humana que sustentou os delírios arquitetônicos do Terceiro Reich.
