06/04/2026 - 7:48
A missão Artemis II iniciou nesta segunda-feira, 6, a fase final de sua aproximação da Lua. A nave Orion alcançou o ponto de inflexão no qual a gravidade lunar exerce uma atração maior sobre a cápsula do que a gravidade da Terra. Segundo a Nasa, a agência espacial americana, a entrada na chamada esfera de influência lunar ocorreu às 1h42 (horário de Brasília).
No momento da transição gravitacional, a espaçonave encontrava-se a aproximadamente 63.000 quilômetros da Lua e a 374.000 quilômetros da Terra. A trajetória da missão assemelha-se a um oito ao redor dos dois corpos celestes. A Orion utilizará o impulso da gravidade lunar para realizar um sobrevoo que levará a tripulação a uma distância recorde, superando qualquer ponto do espaço já atingido por seres humanos.
Perspectivas inéditas
Esta é a primeira vez em mais de 50 anos que uma tripulação viaja ao satélite natural — o último registro ocorreu em 1972, com o programa Apollo. O grupo é composto pelos americanos Christina Koch, Reid Wiseman e Victor Glover, além do canadense Jeremy Hansen. A missão estabelece marcos de representatividade: Victor Glover é a primeira pessoa negra a alcançar a órbita lunar, enquanto Christina Koch é a primeira mulher a realizar o feito.
Os astronautas já iniciaram o plano de observação científica. No sábado, 4, a Nasa publicou uma imagem registrada pela equipe na qual a bacia Oriental é visível. De acordo com a agência, trata-se da primeira vez que a cratera foi vista integralmente por olhos humanos. “Ontem à noite, tivemos nossa primeira visão do lado oculto da Lua, e foi absolutamente espetacular”, afirmou Christina Koch em transmissão ao vivo.
Diferente das missões Apollo, que sobrevoavam a superfície a cerca de 110 quilômetros (70 milhas), a Artemis II passará a pouco mais de 7.500 quilômetros (4.000 milhas) em sua maior aproximação. A distância permitirá a visualização completa da curvatura lunar, incluindo regiões polares e a possibilidade de observar um eclipse solar sob a perspectiva da Orion.
Rotina e testes técnicos
Além das metas científicas, a tripulação concluiu testes de pilotagem manual e monitoramento de sistemas. O diretor da Nasa, Jared Isaacman, destacou à “CNN” que os dados técnicos sobre o desempenho da cápsula com humanos a bordo são a prioridade. “Vamos aprender muito sobre a nave espacial”, ressaltou.
A missão Artemis II é um passo fundamental para o estabelecimento de uma base permanente no satélite. O cronograma da Nasa prevê um novo pouso lunar em 2028, antes do término do mandato de Donald Trump.
* Com informações da AFP e DW
