04/04/2026 - 14:32
Os quatro astronautas da missão Artemis II – Christina Koch, Victor Glover, Reid Wiseman e Jeremy Hansen – estão na metade do caminho para a Lua. A tripulação se aproxima do satélite natural da Terra, que será orbitado no início da próxima semana, em um feito inédito desde 1972.
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A Agência Espacial Americana (NASA) anunciou na última sexta-feira, 3, que a espaçonave Orion já havia percorrido mais de 219.000 quilômetros, confirmando o progresso da jornada. A bordo, os americanos Koch, Glover e Wiseman, juntamente com o canadense Hansen, são os primeiros seres humanos a se aventurar tão longe no espaço desde o término do programa Apollo, há mais de 50 anos.
O que aconteceu
- A missão Artemis II alcançou a metade do trajeto rumo à Lua, um feito não registrado desde 1972.
- Quatro astronautas, três americanos e um canadense, estão a bordo da espaçonave Orion, que já percorreu mais de 219.000 quilômetros.
- A tripulação orbitará a Lua, passando por sua face oculta, e tem retorno previsto para 10 de abril, sem realizar pouso.
A odisseia espacial é transmitida ao vivo pela agência espacial e imortalizada pelos próprios astronautas, que registraram o percurso com seus celulares e câmeras fotográficas. As primeiras imagens da Terra, capturadas pela equipe, foram divulgadas pela NASA na sexta-feira.
“Vemos nossa pequena bolinha azul através dos olhos da tripulação e, de repente, nos encontramos lá em cima com eles”, comentou uma encarregada da agência espacial americana.
Descobertas e emoções no espaço
Após uma decolagem bem-sucedida na quarta-feira, na Flórida, a tripulação acionou os motores na quinta-feira para obter o impulso necessário que permitiria à nave deixar a órbita terrestre e, então, seguir rumo à Lua. Jeremy Hansen descreveu “uma vista impressionante” a partir das janelas da Orion.
A astronauta Christina Koch confessou que “nada te prepara para a emoção que te invade” nesse momento, evidenciando o impacto psicológico da jornada.
A Artemis II é a primeira missão tripulada ao satélite natural desde o fim do programa Apollo, em 1972. Até então, a presença humana no espaço havia se limitado às imediações da Terra, principalmente à Estação Espacial Internacional (ISS).
Situada a mais de 384.000 quilômetros de distância, a Lua está aproximadamente mil vezes mais longe do que a ISS, sublinhando a envergadura da atual missão.
Desafios da jornada lunar
A tripulação não pousará na Lua, mas dará a volta ao astro e passará por trás de sua face oculta na próxima segunda-feira, antes de retornar à Terra em 10 de abril. A trajetória da viagem foi concebida para que a espaçonave seja atraída pela gravidade lunar e depois retorne de forma natural ao planeta, exigindo precisão extraordinária.
“A partir de agora, as leis da mecânica orbital guiarão nossa tripulação até a Lua, a contornarão e a trarão de volta à Terra”, declarou Lori Glaze, cientista da NASA. Este cálculo, embora engenhoso, é restritivo, pois torna inviável um retorno antecipado: a Orion precisa alcançar a Lua para que o retorno à Terra seja possível.
Em caso de um problema grave, os astronautas teriam de vestir novamente os trajes espaciais, projetados para garantir sua sobrevivência por até seis dias.
A Artemis II e o futuro das missões espaciais
A missão Artemis II tem como objetivo primordial verificar que todos os sistemas estejam em ordem para permitir o retorno dos americanos à superfície lunar. Além disso, ela visa preparar futuras missões tripuladas para Marte, alinhando-se com a estratégia de exploração de longo prazo da NASA.
A NASA almeja pousar na Lua em 2028, antes do fim do eventual segundo mandato de Donald Trump. Contudo, especialistas estimam a possibilidade de novos atrasos, uma vez que os módulos de pouso lunar ainda estão em desenvolvimento por empresas como SpaceX, de Elon Musk, e Blue Origin, de Jeff Bezos.
O comandante Reid Wiseman enfatizou a complexidade do empreendimento. “Enviar quatro pessoas a 400.000 quilômetros de distância é um esforço hercúleo, e só agora começamos a perceber isso”, afirmou o astronauta já no espaço, sublinhando a magnitude da tarefa.
