A jornada histórica da missão Artemis II deve ser concluída nesta sexta-feira, 10, com a reentrada da cápsula Orion na Terra e a amerissagem no Oceano Pacífico. De acordo com a Nasa, o pouso na água está previsto para ocorrer às 20h07 (21h07 no horário de Brasília). Os momentos finais da missão serão transmitidos ao vivo pela a agência espacial americana.

Antes da reentrada, a tripulação – composta por Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen – deve realizar a terceira queima de correção da trajetória, etapa essencial para ajustar a trajetória da nave e garantir que a Orion atinja o ângulo exato de entrada na atmosfera.

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O retorno à Terra é considero uma das fases mais delicadas da missão. A Orion atingirá velocidades próximas a 40.000 km/h, gerando temperaturas de aproximadamente 2.800°C — cerca de metade da temperatura da superfície do Sol. A integridade do escudo térmico é o ponto mais crítico da operação, pois caso seja danificado ou apresente rachaduras, pode comprometer a segurança da tripulação.

Após o pouso na costa de San Diego, enquanto os astronautas são transportados por helicóptero para um navio de recuperação, um mergulhador irá ao oceano para fotografar o escudo térmico por baixo — fornecendo aos gestores da missão algumas das primeiras evidências de seu desempenho.

Recorde quebrado e objetivos do sobrevoo

A Artemis II redefiniu os limites da exploração aeroespacial. Durante a missão, Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen quebraram o recorde de distância da Terra estabelecido pela Apollo 13 em 1970. Ao atingir o ponto mais distante de sua trajetória de retorno livre, os astronautas estiveram a milhares de quilômetros além do lado oculto da Lua.

Os objetivos centrais deste sobrevoo lunar incluíram:

  • Validar sistemas de suporte à vida em missões de longa duração;

  • Testar a estabilidade da comunicação no espaço profundo entre a cápsula e a rede de antenas terrestre;

  • Coletar dados críticos para a Artemis III, que planeja o desembarque na superfície lunar.

Além dos dados técnicos, a missão capturou registros visuais por meio de sistemas de câmeras de alta definição. A tripulação realizou fotos inéditas da superfície lunar e do fenômeno “Earthrise” (o nascer da Terra no horizonte da Lua).

As imagens detalham crateras no lado oculto do satélite, áreas raramente observadas com tal proximidade. Segundo a agência espacial, as fotografias possuem valor científico para a geologia lunar e reforçam o cronograma para a instalação de uma base permanente na Lua e futuras missões tripuladas rumo a Marte.