Astrônomos identificaram um novo exoplaneta rochoso, nomeado como HD 137010 b, que orbita outra estrela, localizado a cerca de 146 anos-luz de distância. O estudo foi publicado em um artigo no periódico The Astrophysical Journal Letters na terça-feira, 27.

A descoberta despertou a atenção da comunidade científica por um dado estatístico raro: ele tem cerca de 50% de chance de estar na chamada zona habitável, a região onde a distância da estrela permite, teoricamente, a existência de água líquida na superfície.

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Os dados impressionam pela semelhança geométrica com a Terra. Identificado a partir de registros de 2017 da missão K2 (a extensão do telescópio espacial Kepler), o planeta tem um diâmetro apenas 6% maior que o terrestre. 

Mais impressionante ainda é o seu período orbital: ele completa uma volta em torno de sua estrela em 355 dias, um dos intervalos mais próximos ao nosso já detectados em estrelas do tipo solar.

No entanto, ele carrega um desafio térmico por orbitar uma estrela mais fria e menos luminosa que o Sol. Segundo as estatísticas, o HD 137010 b recebe menos de um terço da energia que a Terra recebe. 

O resultado estimado é um clima hostil, com temperaturas em torno de -68 °C, o que o deixaria coberto por gelo. A única esperança de condições mais amenas para vida seria uma atmosfera densa, rica em dióxido de carbono, capaz de reter calor suficiente para evitar o congelamento total.

Como se deu a detecção

O sinal inicial do planeta, detectado pelo método de trânsito – técnica que analisa uma pequena queda no brilho de uma estrela quando um planeta passa na frente dela, foi localizado por voluntários em um projeto colaborativo de análise de dados. 

O pesquisador Alexander Venner, que hoje lidera o estudo, começou essa trajetória de análise quando ainda estava no ensino médio, e, apesar do entusiasmo, o HD 137010 b ainda não é um planeta “confirmado”, mas sim um candidato. 

O protocolo científico exige pelo menos três detecções consistentes. Até agora, apenas um trânsito foi observado. Devido à sua órbita longa e à baixa frequência de passagens, o acompanhamento é complexo. 

Novas observações dependerão da precisão de missões como o TESS (Satélite de Pesquisa de Exoplanetas em Trânsito), da Nasa, o CHEOPS (Satélite de Caracterização de Exoplanetas) da Agência Espacial Europeia ou de telescópios espaciais de próxima geração.