Residências, acampamento e delegacia foram alvos. Três crianças morreram. Israel diz que ação responde a violação do acordo pelo Hamas.Um ataque aéreo israelense deixou 32 pessoas mortas neste sábado (31/01) na Faixa de Gaza, incluindo três crianças, segundo autoridades palestinas. O bombardeio é um dos mais intensos desde o início do cessar-fogo com o grupo palestino Hamas.

Segundo o Exército israelense, o ataque aéreo mirou comandantes, depósitos de armas e centros de fabricação pertencentes ao Hamas e ao seu aliado, a Jihad Islâmica. Aviões de guerra bombardearam uma delegacia e residências nos arredores da Cidade de Gaza. Um acampamento que abrigava palestinos deslocados em Khan Younis também foi atingido.

Vídeos do incidente mostram um apartamento destruído em um prédio de vários andares, com destroços espalhados pela rua. Samer al-Atbash disse que os corpos de suas três sobrinhas pequenas foram encontrados na rua. “Eles falam em ‘cessar-fogo’ e tudo mais. O que aquelas crianças fizeram? O que nós fizemos?”, disse ele.

Israel argumenta que a ação responde a uma violação da trégua ocorrida no dia anterior, quando suas tropas identificaram oito homens armados saindo de um túnel em Rafah, área no sul de Gaza controlada por forças israelenses. No confronto, três homens foram mortos e um quarto foi preso. Dezenas de combatentes permanecem presos em túneis desde o cessar-fogo.

Israel prepara abertura da passagem de Rafah

O Hamas alega que o cessar-fogo foi violado por Israel. O grupo não informou se algum de seus membros ou instalações foi atingido nos ataques de sábado. O conflito teve início após o ataque de seus homens ao sul de Israel em 7 de outubro de 2023.

Desde o início da trégua, tiros israelenses mataram mais de 500 pessoas – a maioria civis, segundo autoridades de saúde de Gaza – e militantes palestinos mataram quatro soldados israelenses, segundo autoridades de Israel.

Enquanto os dois lados trocam acusações de violações, Washington pressiona para avançar às próximas fases do acordo. O plano prevê o desarmamento do Hamas, o recuo de forças israelenses e o envio de uma força internacional de manutenção da paz.

O Hamas busca incorporar seus 10 mil policiais à nova administração palestina de Gaza apoiada pelos EUA, uma demanda que deve enfrentar resistência de Israel.

No domingo, Israel deve reabrir a passagem de Rafah, entre a Faixa de Gaza e o Egito, como parte do plano para encerrar a guerra.

O Egito condenou os ataques e exigiu que todas as partes “exerçam o máximo de contenção” antes da reabertura da passagem de Rafah; o Catar repudiou “repetidas violações israelenses do cessar-fogo”.

Israel teria aceitado contagem de mortos do Hamas

Segundo reportagens da mídia israelense, Israel teria aceitado pela primeira vez o cálculo feito pelo Ministério da Saúde de Gaza do número total de mortos no conflito.

As autoridades palestinas calculam que 71 mil pessoas foram mortas desde o início da guerra, em outubro de 2023.

Os números de mortos palestinos não distinguem entre civis e combatentes. Pessoas ainda soterradas sob escombros ou que morreram devido aos efeitos indiretos da guerra, como doenças ou fome, não estão na contagem.

Israel sempre contestou essa projeção, embora ela seja considerada confiável por organizações como a ONU. O Exército israelense alega que os números são manipulados pelo Hamas.

O site israelense Ynet e outros veículos importantes, como o jornal Haaretz, noticiaram a admissão israelense do número de mortos palestinos durante um briefing.

Segundo o Ynet, um funcionário do governo afirmou que, em sua estimativa, “cerca de 70 mil habitantes de Gaza foram mortos durante a guerra, sem incluir os desaparecidos”.

“Estamos atualmente fazendo o trabalho de distinguir entre terroristas e pessoas que não estavam envolvidas”, disse o funcionário, segundo o jornal, enquanto o governo prometia analisar os dados.

Mas o Exército israelense não confirmou publicamente os relatos. O porta-voz internacional das Forças de Defesa de Israel (FDI), tenente-coronel Nadav Shoshani, afirmou no X que os números ainda “não refletem dados oficiais”.

“Qualquer publicação ou relatório sobre esse assunto será divulgado por canais oficiais e formais”, escreveu Shoshani.

gq (Reuters, AP, DW)