15/08/2026 - 12:21
Um novo estudo internacional revela que desequilíbrios bacterianos na flora intestinal feminina e no sêmen masculino estão relacionados a dificuldades de concepção. Publicada na revista The Lancet Obstetrics, Gynaecology, & Women”s Health, a pesquisa liderada pelo Hospital Universitário de Copenhague, na Dinamarca, acompanhou casais em tratamentos de fertilidade.
Os resultados indicam que essas alterações podem impactar significativamente as chances de sucesso na gravidez, exigindo uma nova abordagem na medicina reprodutiva para homens e mulheres.
O que aconteceu
- O desequilíbrio bacteriano no sêmen masculino reduz as chances de um casal ter filhos e aumenta os riscos de abortos espontâneos.
- Mulheres com alterações na flora intestinal levam mais tempo para engravidar e têm menor probabilidade de sucesso em tratamentos de fertilidade.
- Ao contrário das outras, a flora vaginal não apresentou relação clara com a infertilidade ou com a perda gestacional, segundo a pesquisa.
O estudo, considerado inovador, analisou a flora intestinal e vaginal de mulheres, bem como o sêmen de seus parceiros. Em seguida, os pesquisadores acompanharam a evolução das gestações e os partos dos casais participantes ao longo do tempo.
Embora o microbioma vaginal tenha sido extensivamente estudado em sua relação com a fertilidade, o microbioma intestinal feminino e o microbioma seminal foram, em grande medida, ignorados até agora, conforme destaca o artigo da Lancet.
A pesquisa acompanhou 353 mulheres e 191 de seus parceiros, recrutados entre abril de 2018 e setembro de 2023. Os participantes estavam passando por tratamentos de fertilidade ou haviam sofrido abortos espontâneos recorrentes.
Para os homens, os autores investigaram o que chamaram de “disbiose seminal do tipo vaginal”. Esta é uma composição bacteriana do sêmen que se assemelha às alterações bacterianas – ou disbiose – que ocorrem tipicamente na vagina.
Os resultados do estudo indicam que o desequilíbrio das bactérias presentes no sêmen dos homens esteve associado a uma redução substancial das chances de um casal ter um filho e a um maior número de abortos espontâneos.
Aproximadamente um quarto dos homens participantes apresentava esse desequilíbrio bacteriano no sêmen. Uma particularidade importante é que essa alteração não é detectada em uma análise convencional, o que significa que os resultados dos exames podem parecer normais mesmo com a presença da disbiose.
Entre os casais submetidos a tratamentos de reprodução assistida, apenas 57% daqueles em que o homem apresentava o desequilíbrio conseguiram ter um bebê. Em contraste, 85% dos casais nos quais o sêmen não apresentava a alteração tiveram sucesso.
Os abortos espontâneos também foram mais frequentes nos casos em que o homem apresentava o desequilíbrio, com uma incidência aproximadamente 20% maior em comparação com os casais sem a alteração, conforme relatado na revista.
No caso das mulheres, o desequilíbrio da flora intestinal foi associado a um tempo maior para engravidar e a uma menor probabilidade de concepção por meio de tratamentos de fertilidade. Contudo, não foi observada relação entre a flora intestinal alterada e a ocorrência de abortos espontâneos.
Essa distinção nos achados para homens e mulheres sublinha a complexidade das interações microbioma-fertilidade e a necessidade de abordagens de tratamento mais personalizadas.
Os autores da pesquisa afirmam que os resultados obtidos “reforçam a ideia de repensar o microbioma reprodutivo como uma questão que afeta o casal como um todo, em vez de se limitar exclusivamente à mulher”.
Essa nova perspectiva pode levar a diagnósticos mais precisos e tratamentos mais eficazes para casais que enfrentam dificuldades para conceber ou que sofrem perdas gestacionais recorrentes.
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