Deivis Marcon Antunes foi abordado por policiais em Itatiaia, no estado do Rio, após voltar dos EUA. Segundo a PF, há indícios de obstrução de investigações e ocultação de provas devido a ligações com o Master.Agentes da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) prenderam nesta terça-feira (03/02) o ex-diretor-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, durante a segunda fase da Operação Barco de Papel, deflagrada no âmbito das investigações envolvendo o Banco Master.

Antunes foi detido após retornar para o Brasil de uma viagem para os Estados Unidos. Ao desembarcar no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, ele seguiu para o Rio de Janeiro com um carro alugado. No trajeto, em Itatiaia (RJ), foi interceptado pelos policiais.

Deivis Antunes chefiou o Rioprevidência – fundo de pensões e aposentadorias dos servidores do estado do Rio de Janeiro – até 23 de janeiro, quando pediu demissão e foi exonerado pelo governador Cláudio Castro (PL).

Nesse mesmo dia, ele havia sido alvo da primeira fase da mesma operação, comandada pela PF, que investiga as ligações do Rioprevidência com o Banco Master. Os policiais realizaram busca e apreensão em endereços de Antunes, mas ele estava no exterior.

Desta vez, os agentes cumpriram três mandados de prisão temporária e nove de busca e apreensão, no Rio de Janeiro e em Santa Catarina. Duas pessoas, que não tiveram seus nomes divulgados pela PF, estariam foragidas.

Investimentos suspeitos

A PF também informou que os mandados foram expedidos pela 6ª Vara Criminal do Rio de Janeiro devido a indícios de obstrução de investigações e ocultação de provas, com Antunes sendo o principal alvo. Ele foi encaminhado para a Delegacia da Polícia Federal em Volta Redonda, no Rio.

Em nota divulgada após a operação, “a Polícia Federal identificou movimentações suspeitas de retirada de documentos do apartamento do investigado, manipulação de provas digitais, além da transferência de bens (dois veículos de luxo) para terceiros”.

Durante a gestão de Antunes, o Rioprevidência teria investido quase R$ 1 bilhão no Banco Master em letras financeiras, ou seja, títulos de alto risco que não têm cobertura de um fundo que garanta crédito.

As investigações da PF focam em pelo menos nove aplicações feitas no Master entre 2023 e 2024 que colocariam em risco aposentadorias e pensões de 235 mil servidores públicos do estado do Rio de Janeiro.

Escândalo do Banco Master

Em março de 2025, o Banco Regional de Brasília (BRB), ligado ao governo do Distrito Federal, anunciou a intenção de comprar o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. O que seria uma simples aquisição, porém, disparou uma série de implicações políticas e jurídicas que levaram não apenas à liquidação dos ativos do conglomerado bancário mas também a uma pressão generalizada sobre o Banco Central (BC), o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Supremo Tribunal Federal (STF) devido à atuação deles no caso.

O escândalo estourou em setembro de 2025, quando a compra do Master pelo BRB foi barrada pelo BC, apesar da aprovação prévia do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o órgão anticartel brasileiro, e da Câmara do Distrito Federal.

Na ocasião, a autoridade monetária alegou falta de documentos que comprovassem a “viabilidade econômica” da operação. Em despacho sigiloso obtido pela imprensa, o BC justificou a decisão diante de riscos elevados e inconsistências nos ativos do Master, incompatíveis com o perfil do BRB. A operação formaria um conglomerado de cerca de R$ 100 bilhões em ativos.

O Banco Master é uma instituição financeira que também atuava como corretora de investimentos. Ele ficou conhecido nos últimos anos por adotar uma política agressiva para captar recursos, oferecendo rendimentos de até 140% do Certificado de Depósito Bancário (CDI) para quem compra papéis da instituição financeira. Essa era uma promessa de ganhos superiores às taxas médias para bancos pequenos – em torno de 110% a 120% do CDI.

O diretor do banco, Daniel Vorcaro, chegou a ser preso sob suspeita de conceder créditos falsos, inclusive na operação de venda ao BRB.

gb/md (ots)