Construído em 1943 para proteger a elite que frequentava o Hotel Adlon (o favorito do Kaiser e, mais tarde, da cúpula do Terceiro Reich), um bunker foi palco de uma recente inspeção do corpo de bombeiros, a primeira desde os anos 90, reacendendo o debate sobre sua abertura ao público.

Resumo:

  • Arquitetura de ferro: o abrigo possui dois andares, 40 quartos e um teto de concreto de três metros de espessura, projetado para resistir aos mais pesados bombardeios aliados.

  • Hóspedes de elite: mais do que soldados, o bunker recebeu diplomatas estrangeiros, estrelas do cinema alemão e altos oficiais nazistas que buscavam refúgio sem abrir mão da proximidade com o hotel mais luxuoso da Europa.

  • Cápsula da Guerra Fria: durante décadas, a Stasi (polícia secreta da Alemanha Oriental) monitorou o local, temendo que o bunker servisse como rota de fuga subterrânea sob o Muro de Berlim.

  • Projeto de resgate: a associação Berliner Unterwelten (Submundos de Berlim) lidera os esforços para bombear milhões de litros de água e transformar o local em um memorial histórico.


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Do glamour imperial ao refúgio antiaéreo

O Hotel Adlon era o símbolo do cosmopolitismo alemão. Quando a Segunda Guerra Mundial atingiu seu ápice e os céus de Berlim foram tomados por bombardeiros, a necessidade de um abrigo que mantivesse o status de seus hóspedes tornou-se urgente. Concluído em 1943, o “bunker dos diplomatas” era ligado diretamente ao subsolo do hotel, permitindo que a aristocracia e os políticos transitassem da suíte para o concreto armado em poucos minutos.

O esquecimento e a paranoia da Stasi

Com a queda de Berlim em 1945 e a subsequente divisão da cidade, o bunker ficou em uma zona cinzenta — a “faixa da morte” próxima ao Muro. A Stasi lacrou muitas dessas estruturas, temendo que se tornassem túneis de fuga para o lado Ocidental. Inundado pelo lençol freático após o desligamento de bombas de drenagem, o abrigo tornou-se um labirinto de água gelada e escura, preservando objetos e estruturas metálicas sob a superfície.

O futuro: museu ou ruína?

A recente inspeção dos bombeiros faz parte de um plano maior para avaliar a integridade estrutural do bunker. A ideia de torná-lo uma atração turística não é apenas econômica, mas educacional. Em uma cidade que se esforça para confrontar seu passado, o Adlon-Bunker oferece um vislumbre raro da vida cotidiana (e privilegiada) durante os últimos dias do Reich.

“Entrar ali é como mergulhar em 1945. A água preservou o que o tempo e o vandalismo poderiam ter destruído.”

Representante da Associação Berliner Unterwelten