Um buraco negro supermassivo, situado a 665 milhões de anos-luz da Terra, está desafiando as expectativas da astronomia ao protagonizar uma espécie de “indigestão cósmica” de proporções épicas. Anos após ter dilacerado e consumido uma estrela, o objeto continua a expelir restos dessa refeição de maneira cada vez mais violenta.

O comportamento, descrito em um estudo publicado na revista Science na quinta-feira, dia 5, foge completamente ao padrão conhecido, já que o material estelar costuma ser ejetado logo após a destruição da estrela, e não apenas dois anos depois. 

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O fenômeno vem sendo monitorado por radiotelescópios localizados no Novo México e na África do Sul e desde que começou, esse jato já persiste por seis anos, um recorde absoluto para eventos dessa natureza. 

E, em vez de perder força, ele segue se intensificando. Atualmente, as emissões de ondas de rádio estão cerca de 50 vezes mais brilhantes do que no momento da primeira detecção, sem qualquer indício de que o brilho vá diminuir tão cedo.

O processo de “espaguetificação” 

A diferença entre as forças envolvidas no evento torna o cenário ainda mais impressionante. O buraco negro em questão possui uma massa 5 milhões de vezes superior à do Sol, enquanto sua vítima era uma anã vermelha pequena, com apenas um décimo da massa solar.

Quando essa estrela se aproximou demais, ela foi vítima de um evento de “ruptura por maré”, sofrendo o processo de espaguetificação, no qual a gravidade extrema a esticou até fragmentá-la em um longo fluxo de gás. 

Embora parte desse material tenha sido consumido para além do horizonte de eventos, um ponto sem retorno do qual nem a luz solar escapa, o restante foi aquecido e lançado ao espaço em velocidades próximas à da luz.

A incomum duração do evento o coloca como um forte candidato a figurar entre os objetos mais brilhantes já registrados no universo, comparável à de explosões de raios gama, consideradas entre os eventos mais poderosos do cosmos.

As projeções indicam que a emissão de ondas de rádio deve atingir seu ápice entre este ano e 2027. Após esse pico, a expectativa é de que o brilho comece a diminuir de forma lenta e gradual, embora deva permanecer detectável pelos telescópios por mais uma década ou mais.