Uma carcaça de baleia-jubarte foi avistada flutuando perto da ilha dinamarquesa de Anholt nesta quinta-feira (14 de maio), e especialistas suspeitam que o animal seja “Timmy”, a baleia que encalhou na Alemanha e protagonizou uma polêmica operação de resgate em alto-mar. A descoberta levanta a questão se a saga da baleia-jubarte “Timmy”, que cativou a Alemanha após encalhar repetidamente em março, teve um desfecho trágico.

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O que aconteceu

  • Uma carcaça de baleia-jubarte foi descoberta flutuando perto da ilha dinamarquesa de Anholt em 14 de maio, com fortes indícios de ser “Timmy”.
  • “Timmy” encalhou diversas vezes na costa alemã em março e foi alvo de uma controvertida operação privada para transportá-la ao Mar do Norte.
  • A identidade exata da baleia ainda não foi confirmada, mas amostras de tecido estão sendo analisadas na Alemanha para verificar se a carcaça é, de fato, a baleia resgatada.

A carcaça foi encontrada a cerca de 75 metros da ilha de Anholt e, segundo a Agência Dinamarquesa de Proteção Ambiental (Miljostyrelsen), já estaria morta há algum tempo. Apesar da forte suspeita, ainda não há confirmação oficial de que se trata da baleia apelidada de “Timmy”, que ganhou destaque na Alemanha ao encalhar repetidamente na costa do país antes de ser levada para águas mais profundas em uma operação privada.

Especialistas observam que o animal morto é uma baleia-jubarte de tamanho similar a “Timmy”. Morten Abildstrom, da Agência Dinamarquesa da Natureza (Naturstyrelsen), informou à imprensa alemã que um pedaço da nadadeira caudal foi removido e será enviado à Alemanha para análise. Tanto a nadadeira quanto a pele da baleia-jubarte podem oferecer pistas cruciais sobre sua identidade. Abildstrom declarou à imprensa dinamarquesa que pesquisadores alemães e dinamarqueses com quem conversou acreditam ser “muito provavelmente” a baleia-jubarte “Timmy”.

A busca pela confirmação da identidade

Caso a carcaça encontrada na Dinamarca seja de fato a baleia-jubarte “Timmy”, especialistas do Museu Oceanográfico Alemão manifestaram interesse em examinar o animal. Uma porta-voz do museu afirmou que o objetivo é “obter informações para futuros encalhes e operações de resgate”.

A pele do animal morto já tem fornecido indícios iniciais sobre sua identidade. Foram observadas diversas estruturas na pele, e o animal apresentava um arranhão ou dano visível na superfície, que pode ter sido causado pela hélice de um navio.

Fotografias também podem ser decisivas para determinar se a carcaça dinamarquesa é a mesma baleia que encalhou anteriormente na Alemanha. Membros da operação de resgate que transportou a baleia do Mar Báltico para o Mar do Norte em uma balsa adaptada planejam comparar as imagens da carcaça com os registros fotográficos de “Timmy”. Além das fotos, a organização de bem-estar animal WDC ressalta que características distintivas, como padrões de cicatrizes na pele, são ferramentas úteis na identificação de baleias.

Qual o legado da operação de resgate?

Till Backhaus, secretário de Meio Ambiente do estado alemão Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e apoiador da operação privada de resgate no final de abril, evita especulações precipitadas sobre a identidade da baleia morta. Backhaus enfatizou que sua secretaria mantém contato próximo com o Ministério do Meio Ambiente da Alemanha e a Agência Dinamarquesa de Proteção Ambiental para determinar se a baleia morta é, de fato, “Timmy”.

Enquanto a confirmação não ocorre, Backhaus pediu que o público evite “teorias conspiratórias nas redes sociais ou acreditar nelas”, reforçando a necessidade de cautela e base em fatos.

O dramático encalhe de “Timmy”

A saga de “Timmy” começou em 23 de março, quando a baleia encalhou inicialmente em um banco de areia na praia de Timmendorfer, no estado alemão de Schleswig-Holstein, o que levou alguns jornais a apelidarem-na de “Timmy”. Após dias e uma complexa operação oficial de resgate com dragas, a baleia conseguiu se libertar, mas logo encalhou novamente, desta vez na Baía de Wismar, no estado vizinho de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental.

Nesse ponto, os profissionais de resgate envolvidos alertaram que a saúde do mamífero deteriorava-se rapidamente. As autoridades decidiram dar um período de descanso ao animal, na esperança de que se recuperasse e aproveitasse a subida da maré. Inicialmente, “Timmy” se soltou novamente, e a operação parecia bem-sucedida. Contudo, a baleia evitou seguir para o Atlântico, permanecendo em águas rasas no Báltico.

No início de abril, autoridades locais e especialistas perderam a esperança de salvar “Timmy” e decidiram abandonar os esforços oficiais, alegando que novas tentativas configurariam crueldade animal e que o melhor seria deixar a baleia morrer em paz no local. No entanto, o animal permaneceu vivo nas semanas seguintes, intensificando o drama e gerando apelos públicos por mais tentativas de resgate.

Finalmente, em meados de abril, Till Backhaus, secretário do Meio Ambiente de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, anunciou uma mudança de posição, apoiando uma “única” e nova missão de resgate.

As críticas à polêmica libertação

A nova operação foi financiada por empresários, incluindo Walter Gunz, cofundador da rede de varejo de eletrônicos MediaMarkt, que chegou a figurar na lista dos mais ricos da Alemanha. Gunz ignorou as críticas de especialistas em baleias e montou a equipe de resgate conforme suas próprias preferências, defendendo que “sem tentativa, a baleia certamente morrerá. Tentando, ao menos existe uma chance”.

A operação consistia em transportar o enorme animal por centenas de quilômetros do Báltico até as águas mais profundas do Mar do Norte, em uma espécie de balsa adaptada. Contudo, a retomada do resgate gerou críticas na Alemanha. Kim Detloff, chefe da área de proteção marinha da Associação Alemã de Proteção da Natureza (Nabu), afirmou que a iniciativa ocorreu sob forte pressão pública, em detrimento da avaliação científica.

Especialistas também apontaram que, mesmo com o sucesso do transporte até o Mar do Norte, as chances de “Timmy” sobreviver eram mínimas, destacando a deterioração de sua saúde durante as semanas de encalhe no Mar Báltico. Um grupo ligado ao Museu Oceanográfico Alemão, por exemplo, alertou para o risco de a baleia se afogar após ser solta em alto-mar, pois um animal debilitado poderia não ter forças para se movimentar livremente.

A operação privada também foi marcada por desentendimentos entre os envolvidos, culminando na saída de uma veterinária que acusou dois participantes, incluindo um influenciador, de atrapalhar o resgate. “Timmy” foi finalmente solta em alto-mar em 2 de maio. Os envolvidos classificaram a empreitada como um “sucesso”, mas questionamentos surgiram devido à falta de vídeos do momento da soltura e à ausência de informações claras sobre o rastreador acoplado ao animal.

A controvérsia ganhou novo fôlego após a veterinária Kirsten Tönnies, membro da tripulação, fazer acusações graves contra os responsáveis. Segundo Tönnies, o método usado para retirar o animal da balsa foi agressivo, e ela foi impedida de acompanhar a manobra. A principal dificuldade parecia ser a posição em que “Timmy” ficou após nadar para dentro da balsa, sem conseguir se virar e nadar em direção ao mar devido ao tamanho reduzido da embarcação.

As críticas também se concentraram na falta de informações sobre o paradeiro e o estado de saúde de “Timmy” nos dias seguintes à soltura. Os sinais do rastreador instalado na baleia permaneceram inconstantes, sem dados claros sobre sua localização ou condição de saúde. O transmissor, aparentemente, não havia sido testado antes da soltura.

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