TikTok, beats e festa na rua: a folia na capital alemã do carnaval está diferente, mais jovem e engajada. A tradição viralizou e se transformou em cultura pop.O carnaval de Colônia é considerado o ápice da exuberância alemã: gente fantasiada se abraçando, dançando e entoando canções tradicionais. Essa imagem ainda é verdadeira, ao menos por enquanto. Já dá para ver – e também ouvir – que a celebração está passando por mudanças.

A cena musical de Colônia é enorme e singular na Alemanha. Mas mudou muito nas últimas duas décadas, levando consigo também o carnaval. O que antes era fortemente marcado por marchinhas ou compassos de três quartos, com letras por vezes obscenas e melodias grudentas, tornou-se uma trilha sonora da cultura pop da cidade no Oeste alemão.

As bandas tradicionais carnavalescas ainda existem, mas também seguem, em grande parte, essa tendência. A música de carnaval ficou mais alta, mais rápida, mais diversificada e significativamente mais jovem. O gênero já não acompanha apenas reuniões oficiais e associações tradicionais, não marca apenas a folia de rua, mas também as redes sociais e o cotidiano de muitos jovens – e isso além da época do carnaval, como canta a banda Kasalla em uma das suas músicas: “Carnaval o ano todo, rock’n’roll e ufftata!”

Desde 2015, é realizado, na região do rio Reno, o grande festival de verão de Colônia “Jeck im Sunnesching” (Louco ao sol). Nele, milhares de pessoas, principalmente jovens, celebram ao som de bandas locais igualmente jovens.

A folia esquentou

Durante muito tempo, as canções clássicas de carnaval visavam colocar as pessoas para dançar juntas ao ritmo. Hoje em dia, muitas músicas novas funcionam mais como trilha de boates ou hinos pop. Apostam em batidas, refrões para cantar junto e energia. O objetivo já não é apenas a festa na sala ou no bar, mas sim o movimento nas ruas, com uma atmosfera de festival, e um som que pode ser entendido em todo o mundo.

Isso é ainda mais perceptível no carnaval de rua, onde centenas de milhares de pessoas se reúnem para a folia, muitas vezes sem programas fixos, palcos ou lugares para se sentar. Aqui, a música tem que envolver instantaneamente. E é exatamente isso que acontece.

E não só na Alemanha. Em outros países, as festas tradicionais também estão mudando de rosto: em Nova Orleans, por exemplo, o Mardi Gras deixou de ser feito apenas por bandas de metais. Hoje, hip-hop e as batidas eletrônicas são a trilha sonora da festividade. A música não é só preservada, mas também constantemente remixada.

O Carnaval de Notting Hill, em Londres, é outro que mostra como a música pode transformar uma festa popular. O que antes era fortemente folclórico, hoje é marcado principalmente por torres de som, baixo, reggae e dancehall. A música molda a atmosfera e não segue regras. É exatamente esse o caminho que o Carnaval de Colônia está seguindo: elementos tradicionais permanecem, mas são atualizados sonoramente.

A nova cena: jovem, barulhenta e confiante

Uma cena musical jovem e afim de experimentar impulsiona essa mudança. No entanto, mesmo olhando para o futuro, muitas bandas jovens de Colônia mantêm uma importante característica identitária: o dialeto da sua cidade natal. O kölsch não é apenas folclore, mas a língua do dia a dia.

A maioria deles não vem de lugares onde o carnaval é tão tradicional, mas sim da cena pop, indie ou eletrônica. As canções contam histórias da vida, de amor e dor, de sentimentos de pertencimento e comunidade. Muitos transmitem mensagens políticas, defendem a tolerância e lutam contra a extrema direita; outros querem apenas festejar como se não houvesse amanhã.

O primeiro sucesso viral

A música Karnevalsmaus, da banda Druckluft, foi uma que se espalhou no TikTok e no Instagram. A canção é divertida, irônica e claramente adaptada para as redes sociais.

Quase todas as pessoas em Colônia e arredores conhecem a coreografia que se tornou viral na internet. As lojas de carnaval mal conseguem acompanhar os pedidos: orelhas de rato esgotaram num instante, pois a tendência de fantasias para 2026 é, sem dúvida, o “rato carnavalesco”.

A canção mostra como funciona a música de carnaval hoje em dia, curta, cativante e aberta a novos hábitos de audição. Embora tenha sido composta durante os ensaios, de forma orgânica, a presença digital fez com que alcançasse milhões de pessoas em muito pouco tempo, ultrapassando a região de Colônia.

Domínio da Geração Z

Os jovens nascidos nas décadas de 1990 e 2000, que cresceram com streaming, memes e cultura pop global, estão redescobrindo a folia como expressão de identidade e comunidade.

Isso também altera o jeito de se vestir. As fantasias se orientam menos em personagens clássicos e mais em ícones pop, fenômenos da internet ou posicionamentos políticos. Música, moda e atitude se conectam.

Isso se aproxima às tendências internacionais: grandes festivais de rua, como as paradas do LGBT ou carnavais urbanos, funcionam hoje menos por tradição e mais por participação. Quem comparece ajuda a moldar a imagem.

Tradição e atualidade

O formato “Loss mer singe” (“vamos cantar”) mostra que essa mudança não é contrária à tradição. Criado em 2001, ele organiza quase 70 noites de cantoria coletiva nas semanas que antecedem o carnaval. Não só em Colônia e arredores, mas também em Berlim, Hamburgo e Munique. Nesses eventos, que ocorrem principalmente nos bares, novas canções de carnaval são apresentadas, cantadas e avaliadas em conjunto.

O público decide o que funciona, e muitas vezes de forma bastante unânime, como observa Georg Hinz, fundador do “Loss mer Singe”. “Vemos por toda a parte uma ampla faixa etária, dos 25 aos 65 anos, que todos gostam das mesmas canções”, diz à DW. Ele afirma que tem a impressão de que esse novo estilo de vida musical inclui todos. “Hoje, é natural que uma balada pop de Colônia, que poderia muito bem ser cantada por estrelas internacionais, una todas as gerações.”

Hinz vê na música uma chave para o sucesso do carnaval atual. “A evolução dos últimos anos, que não foi explosiva, mas sim gradual, tem muito a ver com o cotidiano musical popular das pessoas. Acredito que a música típica do carnaval e a música que as pessoas geralmente gostam de ouvir têm-se aproximado cada vez mais. O resultado é que o mercado, como um todo, se tornou significativamente maior.”

O Carnaval de Colônia mostra como as festas culturais sobrevivem quando se abrem. A música reage às mudanças sociais, à cultura digital e a novos públicos. E, por isso, não pertence a um museu de costumes. É uma festa urbana viva, ainda barulhenta, colorida e caótica, um estilo de vida coletivo entre a euforia, a comunidade e o volume máximo. As suas canções falam hoje da vida na cidade, da identidade, do humor e da atitude. Assim, o carnaval continua a ser o que sempre foi: um espelho da sociedade.