Ex-ministro Peter Mandelson é investigado por supostamente revelar dados sensíveis do governo do Reino Unido em troca de pagamento do magnata e criminoso sexual americano.O ex-ministro trabalhista britânico Peter Mandelson anunciou, nesta terça (03/02), a renúncia ao cargo vitalício na Câmara dos Lordes e virou alvo de uma investigação da polícia de Londres após a revelação de que teria repassado informações sensíveis do governo britânico ao magnata americano e criminoso sexual Jeffrey Epstein.

O caso ganhou novas dimensões com a divulgação da nova leva de documentos do caso Epstein pelo Departamento de Justiça dos EUA, que também expôs a ligação financeira de Epstein com o brasileiro Reinaldo Avila da Silva, marido de Mandelson.

Segundo os e-mails de Epstein, Mandelson, então secretário de Negócios no governo do primeiro-ministro Gordon Brown (2007-2010), compartilhou com Epstein dados financeiros confidenciais e sensíveis durante a crise financeira de 2008.

Entre os materiais enviados estariam análises internas sobre políticas econômicas, planos de venda de ativos, discussões sobre crédito empresarial e informações antecipadas sobre um pacote de resgate do euro, além de contatos sobre a taxação de bônus bancários.

Brasileiro envolvido

O escândalo envolve o brasileiro Reinaldo Avila da Silva, marido de Mandelson. Documentos indicam que Epstein financiou, em 2009, um curso de osteopatia de Avila, com uma transferência de cerca de 10 mil libras (cerca de R$ 71 mil).

Mandelson afirmou que o recebimento do pagamento foi um “erro de julgamento”, mas negou que os valores tenham sido um suborno. Os arquivos também citam depósitos de 75 mil dólares (R$ 393 mil) de Epstein a Mandelson entre 2003 e 2004, valores que o ex-ministro diz “não se recordar” de ter recebido.

O gabinete do governo britânico concluiu que os arquivos continham informações “provavelmente sensíveis ao mercado”, que comprometeram os protocolos de segurança.

O material foi encaminhado à polícia, que confirmou a abertura de investigação por suspeita de “má conduta em cargo público” contra Mandelson, que já havia sido demitido do cargo de embaixador em Washington no ano passado por causa das ligações com Epstein. O magnata americano foi encontrado morto na prisão em 2019.

De acordo com Ella Marriott, comandante da Polícia Metropolitana de Londres, a corporação recebeu diversas denúncias de supostas condutas impróprias no exercício de cargos públicos, “incluindo uma denúncia do governo do Reino Unido”.

Renúncia e cassação do título de lorde

O barão Michael Forsyth de Drumlean, que atua como presidente da Câmara dos Lordes, a câmara alta do Parlamento britânico, anunciou que a renúncia de Mandelson entra em vigor nesta quarta-feira (04/02).

O anúncio ocorre após o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmar nesta terça-feira, durante a reunião de gabinete, que havia iniciado o processo para retirar de Mandelson o título de “lorde”, concedido pela nobreza britânica – algo que não ocorre desde a Primeira Guerra Mundial, quando nobres do país se aliaram aos alemães.

Starmer disse ter encomendado um relatório jurídico para cassar o título de Mandelson “o mais rápido possível” e pediu que os funcionários revisem “com urgência” toda a informação disponível sobre o vínculo entre o político e Epstein durante o período em que o britânico ocupou o cargo de ministro de Negócios, entre 2008 e 2010.

O escândalo envolvendo Mandelson também repercutiu na União Europeia. A Comissão Europeia, braço Executivo do bloco, anunciou, também nesta terça, que vai analisar se o britânico violou normas de conduta. Peter Mandelson foi Comissário Europeu pelo Reino Unido, assumindo a pasta do Comércio em novembro de 2004. Ele atuou na Comissão Europeia até outubro de 2008

Fcl/md (dpa, efe, ots)