15/01/2026 - 10:45
Medida atinge administradora de fundos suspeita de ligação com esquema do Banco Master. Fundador da empresa foi um dos alvos da operação da PF deflagrada nesta quarta.O Banco Central (BC) determinou, nesta quinta-feira (15/1), a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, antiga Reag Investimentos, com sede em São Paulo. A medida, tomada após graves irregularidades no Sistema Financeiro Nacional (SFN), ocorre um dia depois de a Polícia Federal (PF) deflagrar a segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura fraudes bilionárias no Banco Master.
A instituição administrava mais de 80 fundos de investimento, que agora devem migrar para novas gestoras para manter as operações. Em nota, o BC informou que a liquidação foi motivada por “graves violações às normas” e que “continuará adotando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades, nos termos de suas competências legais”. A autarquia também bloqueou os bens dos controladores e dos ex-administradores da empresa.
De acordo com o BC, a Reag Investimentos se enquadrava no segmento S4 de regulação prudencial, relativo a instituições financeiras de menor porte. Esse grupo corresponde a menos de 0,001% do total do sistema financeiro, representando risco pouco relevante para o SFN.
Fundador foi alvo de operação
Nesta quarta-feira, o empresário João Carlos Mansur, fundador da Reag, foi um dos alvos da operação deflagrada para apurar suspeitas envolvendo o Banco Master. Foram apreendidos bens de alto valor, como relógios e carros de luxo, em endereços relacionados a suspeitos de fraude no banco. Mansur está fora do país. Ele renunciou à presidência do conselho de administração da Reag em setembro.
No ano passado, Mansur foi investigado por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro atribuído ao Primeiro Comando da Capital (PCC), que teria usado fundos de investimento para ocultar recursos ilícitos. Na ocasião, o fundador da Reag também chegou a ser alvo de mandado de busca e apreensão.
Escândalo do Banco Master
O Banco Master está no centro de um escândalo descrito pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como possivelmente a “maior fraude bancária do país” . Em novembro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição após identificar indícios de fraude na venda de carteiras de crédito para o Banco de Brasília (BRB), operação estimada em R$ 12,2 bilhões.
A investigação aponta que a Reag, parceira do Master na administração de fundos, também é suspeita de envolvimento nas irregularidades.
Na ocasião, a Reag divulgou nota afirmando que colaborava integralmente com as autoridades, fornecendo documentos e informações solicitadas, e declarou confiança no funcionamento regular das instituições e da Justiça. A instituição não comentou a liquidação extrajudicial desta quinta.
fcl/md (EFE, ots)
