19/01/2026 - 14:58
Neste ritmo, gigante asiático perderia quase três vezes a população do Brasil até 2100. Governo investe em políticas de incentivo para famílias terem mais filhos.Em quase 80 anos, desde a fundação da República Popular da China em 1949, nunca nasceram tão poucos bebês quanto no ano passado no gigante asiático. Foram 7,92 milhões de nascimentos, ou seja, 5,63 por mil habitantes, índice 17% mais baixo do que no ano anterior.
A população do segundo país mais populoso do mundo diminuiu em 3,39 milhões em 2025, indicam os dados oficiais publicados nesta segunda-feira (19/01) pelo Escritório Nacional de Estatísticas (ONE). Com uma taxa de mortalidade de 8,04 por mil habitantes, a população total caiu para cerca de 1,404 bilhão de pessoas.
Neste ritmo, a população chinesa poderia encolher para cerca de 800 milhões até o ano de 2100, de acordo com projeções da Organização das Nações Unidas (ONU). Isto equivaleria à perda de aproximadamente 600 milhões de pessoas – quase três vezes a população atual do Brasil, estimada em 213,4 milhões de pessoas em setembro passado.
Crise demográfica
O dado representa o quarto ano consecutivo de contração, depois que a população chinesa perdeu 850 mil pessoas em 2022. Este já havia sido o primeiro declínio desde 1961, quando o número de habitantes diminuiu, em consequência da fome derivada de uma fracassada política de industrialização.
Em 2023, a população da Índia ultrapassou a da China, contando com aproximadamente 1,464 bilhão de pessoas.
O Partido Comunista enfatizou nos últimos três anos que o país precisa de um sistema que “aumente as taxas de natalidade e reduza os custos da gravidez, do parto, da escolarização e da criação”. O presidente chinês,Xi Jinping, já classificou a crise demográfica como um “assunto vital”.
Nos últimos meses, Pequim implementou medidas para tentar reverter a queda dos nascimentos, como subsídios diretos de 3,6 mil yuans anuais (cerca de R$ 2,7 mil) por cada menor de três anos e planos para que o parto seja coberto pelo seguro nacional de maternidade antes de 2026.
Da mesma forma, o governo anunciou no fim de 2025 uma revisão integral da política de preços das creches para reduzir os custos da educação pré-escolar e reforçar o apoio à natalidade.
Efeitos do filho único
Outro obstáculo importante é o desequilíbrio de gênero propiciado por décadas da “política do filho único”, nas quais predominou a busca por filhos homens. Por isso, a proporção aproximada na China é de 104,34 homens para cada 100 mulheres.
O gigante asiático permite desde 2021 que seus cidadãos tenham um terceiro filho, embora a decisão não tenha sido recebida com grande entusiasmo. Os cuidados com cada criança pesam no orçamento das famílias, que tendem a priorizar a carreira profissional.
Também aumenta a população vivendo sozinha, que supera 92 milhões de pessoas e poderia chegar a 200 milhões em 2030, de acordo com dados do Ministério de Assuntos Civis e estimativas do Instituto de Pesquisa Beike.
A China aumentou em 2024 a idade para aposentadoria pela primeira vez em 50 anos, medida impulsionada pela tendência de envelhecimento da população. A preocupação com a saúde do sistema previdenciário é um denominador comum entre países com redução da taxa de natalidade, como no emblemático caso da Alemanha.
ht/ra (EFE, ots)
