Uma pesquisa da Universidade de Bristol, no Reino Unido, revelou que as primeiras esponjas marinhas não possuíam esqueletos minerais, sendo compostas inteiramente por tecidos moles. A descoberta liderada pela pesquisadora Ana Riesgo, especialista em evolução de esponjas do Museu de Ciências Naturais de Madri, na Espanha, explica uma lacuna evolutiva de 100 milhões de anos.

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Por meio da análise de genomas e modelos matemáticos, os cientistas demonstraram que as estruturas rígidas (denominadas espículas) surgiram de forma independente em diferentes linhagens ao longo do tempo.

O estudo ainda aponta que as esponjas foram a primeira linhagem de animais construtores de recifes e possivelmente os primeiros animais a surgirem na Terra. A evolução desses organismos ajudou a transformar o planeta e criar as condições que permitiram o surgimento da diversidade de vida animal atual, o que inclui os próprios seres humanos.

Surgimento das esponjas

As esponjas estão entre os animais mais antigos conhecidos no mundo, mas os cientistas têm tido dificuldade em determinar com exatidão quando elas surgiram. O DNA de esponjas vivas e vestígios químicos preservados em rochas antigas indicam que elas emergiram há pelo menos 650 milhões de anos.

As primeiras esponjas eram organismos de corpo mole, ou seja, sem esqueletos mineralizados, o que explica a ausência de fósseis mais antigos. Os cientistas também descobriram que as estruturas que formam o esqueleto das esponjas evoluíram de forma independente em diferentes linhagens.

Como as análises foram feitas

Os pesquisadores analisaram dados de 133 genes junto ao registro fóssil para reconstruir a história das esponjas e obter uma compreensão maior sobre a evolução da espécie.

  • Estudo dos genes dos esqueletos: ao examinar os genomas de esponjas modernas, os cientistas observaram que genes diferentes são responsáveis pela formação dos diferentes tipos de esqueletos atuais.
  • Simulação da evolução dos esqueletos: em seguida, a equipe utilizou um modelo estatístico baseado em Processo de Markov para simular como os diferentes tipos de esqueletos podem ter surgido.