A Colômbia planeja reduzir drasticamente a população de hipopótamos invasores descendentes de espécimes que pertenceram ao narcotraficante Pablo Escobar, informou o governo nesta segunda-feira, 14, após anos de debates sobre como controlar o rebanho cada vez maior desses animais.

A ministra do Meio Ambiente, Irene Vélez Torres, afirmou que as autoridades pretendem abater inicialmente cerca de 80 animais, uma vez que os esforços para realocar os hipopótamos para zoológicos e parques de vida selvagem em países como México, Índia e Filipinas fracassaram até o momento.

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“Se não fizermos isso, não conseguiremos controlar a população”, disse a ministra. “Precisamos tomar essa medida para preservar nossos ecossistemas.”

Vélez afirmou que os métodos anteriores para controlar a população, incluindo a castração de alguns animais, foram caros e ineficazes, devido aos altos custos envolvidos na captura dos animais perigosos e na realização das cirurgias. Como os hipopótamos provêm de um conjunto genético limitado e podem ser portadores de doenças, levá-los de volta ao seu habitat natural na África foi considerado inviável.

O Ministério informou que ainda trabalha em planos de realocação, mas alertou que é necessária uma ação urgente para conter essa população. Estima-se que 200 hipopótamos vivam atualmente na Colômbia. Sem intervenção, esse total pode chegar a cerca de mil até 2035, segundo a avaliação da pasta.

Ameaças aos ecossistemas locais

Cientistas alertam que os animais geram danos aos ecossistemas locais, além de ameaçarem espécies nativas como peixes-boi e tartarugas de rio, danificarem terras agrícolas e representarem riscos para a população.

A origem dos hipopótamos remonta a quatro animais africanos importados por Escobar para seu zoológico particular na Fazenda Nápoles, uma gigantesca propriedade no vale do rio Magdalena com uma pista de pouso particular que servia como residência rural do narcotraficante.

Após a morte de Escobar pelas forças de segurança em 1993, a propriedade ficou abandonada e os animais escaparam para os rios próximos, onde se reproduziram rapidamente e se espalharam pela região. Mais recentemente, hipopótamos foram avistados em áreas a mais de 100 quilômetros ao norte da fazenda.

Apesar dos problemas, os hipopótamos também se tornaram uma atração turística, com moradores de vilarejos ao redor da Fazenda Nápoles promovendo passeios para observação dos animais e vendendo suvenires com o tema.

Os hipopótamos também são uma das principais atrações da Fazenda Nápoles, que foi confiscada pelo governo colombiano durante a apreensão das propriedades de Escobar. O local funciona atualmente como um parque temático, com piscinas, toboáguas e um zoológico que inclui diversas outras espécies africanas.

Protestos de ambientalistas

Ativistas dos direitos dos animais na Colômbia há muito se opõem às propostas de abater os hipopótamos, argumentando que eles merecem viver. Eles afirmam que abordar o problema por meio da violência dá um péssimo exemplo para um país que passou por décadas de conflitos internos.

Andrea Padilla, senadora e ativista dos direitos dos animais que ajudou a elaborar uma lei contra as touradas na Colômbia, descreveu o plano de abater os hipopótamos como uma decisão cruel e acusou autoridades governamentais de adotarem o caminho mais fácil.

“Assassinatos e massacres nunca serão aceitáveis”, escreveu Padilla em seu perfil no X. Ela argumentou que os hipopótamos “são criaturas saudáveis que são vítimas da negligência” de entidades governamentais.

(DPA, AP)