06/01/2026 - 16:31
A inteligência artificial (IA) deixou de ser uma promessa futurista para se tornar um componente onipresente na infância contemporânea. Integrada a brinquedos, plataformas educacionais e redes sociais, a tecnologia molda silenciosamente a forma como as novas gerações aprendem, consomem entretenimento e expressam emoções. Se, por um lado, a ferramenta oferece horizontes pedagógicos inéditos, por outro, acende alertas sobre segurança e desenvolvimento psicossocial.
Integração total: a tecnologia de IA está presente em tutores educacionais, redes sociais e até em brinquedos de pelúcia interativos;
Benefícios no ensino: diferentemente do modelo tradicional, tutores digitais oferecem paciência e tempo ilimitados para o aprendizado individualizado;
Saúde mental em xeque: jovens buscam apoio emocional em chatbots, preferindo o conforto de algoritmos que nunca discordam às relações humanas;
Riscos críticos: especialistas apontam perigos como “alucinações” (informações falsas), conversas inapropriadas e o agravamento do isolamento social.
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No campo da educação, a IA se apresenta como o tutor ideal: possui tempo e paciência infinitos, adaptando-se ao ritmo de cada aluno de maneira que o ensino tradicional muitas vezes não alcança. No lazer, a mudança é igualmente profunda. Crianças não são mais meras espectadoras; elas agora utilizam ferramentas generativas para criar vídeos e conteúdos onde protagonizam suas próprias histórias. Até os tradicionais ursos de pelúcia ganharam voz, respondendo em tempo real por meio de sistemas de processamento de linguagem natural.
O refúgio nos algoritmos
O impacto mais sensível, contudo, reside na esfera emocional. Cada vez mais, jovens recorrem a chatbots em busca de conforto e apoio. Para muitos, é mais simples se abrir com um bot do que com uma pessoa real. Afinal, um “amigo” virtual está sempre disponível e, por programação, raramente discorda ou impõe conflitos.
“Companheiros de IA que nunca discordam podem parecer reconfortantes, mas correm o risco de tornar as relações humanas reais ainda mais complexas e difíceis.”
Entretanto, essa conveniência oculta riscos severos. A IA ainda é suscetível às chamadas “alucinações” — quando o sistema gera informações factualmente incorretas, o que pode comprometer o aprendizado. Mais grave ainda são os registros de brinquedos inteligentes que travaram diálogos inadequados com menores de idade.
A dependência de interlocutores artificiais pode, segundo especialistas, levar ao isolamento e à perda de habilidades sociais essenciais, como a negociação de conflitos e a empatia. Enquanto a tecnologia redefine as fronteiras da infância, a pergunta sobre a segurança e os limites éticos dessa interação permanece central para pais, educadores e reguladores em 2026.
