03/02/2026 - 14:51
Um estudo recente aponta que a arte rupestre mais antiga conhecida pode estar em uma caverna da Indonésia. O achado é um estêncil de mão feito com pigmento vermelho, datado de pelo menos 67.800 anos, localizado em cavernas da ilha de Sulawesi.
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A marca integra um conjunto de pinturas rupestres atribuídas a humanos primitivos que faziam parte de populações espalhadas por Sahul, antigo continente que reunia áreas hoje correspondentes à Austrália, Papua Nova Guiné e partes da Indonésia. Na época, o nível do mar era mais baixo e a configuração geográfica da região era diferente.
De que eram feitas as marcas
Segundo o arqueólogo e geoquímico Maxime Aubert da Universidade Griffith, as mãos foram feitas com ocre por meio de pulverização. “Eles colocaram a mão ali e depois pulverizaram o pigmento. Não conseguimos determinar qual técnica usaram. Podem ter colocado o pigmento na boca e pulverizado. Podem ter usado algum tipo de instrumento”, afirmou. Ele ainda classificou a descoberta como “emocionante e inspiradora”. O estudo foi publicado na revista Nature.
A análise indica que o contorno foi posteriormente modificado com dedos afilados. Sua idade mínima antecede dezenas de outras representações pré-históricas encontradas nas cavernas calcárias da região, incluindo uma cena com figuras parcialmente humanas e parcialmente animais caçando um javali verrugoso, considerada a evidência mais antiga de narrativa na história da arte.

“O que estamos vendo na Indonésia provavelmente não é uma série de surpresas isoladas, mas a revelação gradual de uma tradição cultural muito mais profunda e antiga que simplesmente permaneceu invisível para nós até recentemente”, disse Aubert.
O que foi analisado
O estudo analisou 44 sítios arqueológicos no sudeste de Sulawesi e conseguiu datar 11 artes rupestres, entre elas sete estênceis de mãos. O exemplar mais antigo foi encontrado na caverna de Metanduno, na ilha de Muna, onde também há pinturas mais recentes de cavalos, veados e porcos, possivelmente feitas entre 3.500 e 4.000 anos atrás.
Para estimar a idade das imagens, os pesquisadores analisaram vestígios químicos em crostas minerais formadas sobre as pinturas, conhecidas como “pipoca de caverna”. Os registros de Sulawesi são mais antigos do que a arte rupestre europeia, como a de Lascaux, na França, e um estêncil de mão encontrado em uma caverna espanhola associado a neandertais.
Qual espécie produziu as marcas
Os autores avaliam que os moldes foram provavelmente produzidos por membros primitivos do Homo sapiens que viviam no Sudeste Asiático durante a era glacial. Para Aubert, as mãos podem ter servido para marcar locais de importância simbólica. “Essa não era uma atividade casual. Exigia planejamento, conhecimento compartilhado e significado cultural”, afirmou.
Paul Pettitt professor de arqueologia paleolítica da Universidade de Durham, no Reino Unido, destacou que a data atribuída representa uma idade mínima e que a obra pode ser ainda mais antiga. Segundo ele, não se pode descartar a participação de outras espécies humanas, como os denisovanos, que possivelmente viveram na região.
A presença de arte rupestre tão antiga em Sulawesi também contribui para o debate sobre quando e como os primeiros humanos chegaram a Sahul. Enquanto alguns pesquisadores apontam uma ocupação há cerca de 50.000 anos, outros defendem uma presença de pelo menos 65.000 anos. A idade das pinturas sugere que os ancestrais dos primeiros australianos podem ter chegado à região mais cedo, seguindo uma rota ao norte, passando por Sulawesi, que já era uma ilha naquele período.
