26/02/2026 - 11:02
Pleito ocorrerá no fim de março, meses antes do prazo, e tendo como pano de fundo as ameaças de Trump de anexar o território dinamarquês da Groenlândia.A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, anunciou nesta quinta-feira (26/02) que o país escandinavo realizará eleições parlamentares em 24 de março, meses antes do prazo máximo para convocação do pleito.
O anúncio ocorre em um momento em que os dinamarqueses estão sob tensão em meio à pressão do presidente Donald Trump, para que o país ceda o território da Groenlândia aos Estados Unidos.
O pleito prevê que os eleitores dinamarqueses determinarão quem ocupará o Folketing, ou parlamento. Ele tem 179 cadeiras — 175 das quais vão para legisladores que representam a Dinamarca e duas para legisladores dos dois territórios semiautônomos do reino, a Groenlândia e as Ilhas Faroé.
Uma eleição geral deve ser realizada no país pelo menos a cada quatro anos, mas quem estiver ocupando a chefia de governo do país membro da Otan e da União Europeia tem poder de convocá-la a qualquer momento. A última eleição foi realizada em 1º de novembro de 2022 e resultou em uma coalizão de três partidos que inclui legendas de esquerda e direita. Pelo prazo, o pleito de 2026 poderia ocorrer até 31 de outubro.
A decisão de Frederiksen de antecipar a data da votação também parece ter sido influenciada pelo aumento do apoio que o partido de Frederiksen têm registrado em pesquisas como resultado das ameaças do presidente dos EUA.
Governo
“Agora cabe a vocês, eleitores, decidir que rumo a Dinamarca tomará nos próximos quatro anos. E estou ansiosa por isso”, disse Frederiksen, que pretende concorrer à reeleição, ao fazer seu anúncio no parlamento nesta quinta-feira.
Ela aproveitou a oportunidade para apresentar as linhas gerais de sua plataforma eleitoral.
Ela disse que a Dinamarca deve continuar a se rearmar e ajudar a proteger a Europa da Rússia. “A política de segurança é e continuará sendo a base da política dinamarquesa por muitos e muitos anos”, disse Frederiksen.
Ainda segundo ela, próximos quatro anos, a Dinamarca terá que “andar com as próprias pernas”, acrescentando que as relações com os Estados Unidos terão que ser redefinidas.
Frederiksen, uma social-democrata de centro-esquerda, chefia o governo da Dinamarca desde meados de 2019.
Atualmente, ela lidera um governo com o Partido Liberal do ministro da Defesa, Troels Lund Poulsen, e o partido centrista Moderado do ministro das Relações Exteriores, Lars Løkke Rasmussen, um ex-primeiro-ministro.
Tensão com os EUA de Trump
O principal desafio para o governo no último ano foi a pressão de Trump para que os EUA assumissem o controle da Groenlândia, que culminou em sua ameaça de curta duração no mês passado de impor novas tarifas à Dinamarca e a vários outros países europeus.
Após essa escalada, os EUA, a Dinamarca e a Groenlândia iniciaram negociações técnicas sobre um acordo de segurança no Ártico.
Frederiksen e outras autoridades dinamarquesas e groenlandesas rejeitam os planos de anexação dos EUA. A pressão dos EUA provocou protestos de rua na Dinamarca e levou o país europeu a reforçar sua presença militar na Groenlândia.
A premiê afirmou no início deste mês que continua cautelosa, embora a crise tenha dado sinais de calmaria, após os EUA voltarem suas atenções para o Irã.
Questionada na Conferência de Segurança de Munique neste mês se a crise havia passado, ela respondeu: “Não, infelizmente não. Acho que o desejo do presidente dos EUA é exatamente o mesmo. Ele leva esse assunto muito a sério”.
Jps (AP, AFP, ots)