03/02/2026 - 23:17
Fósseis analisados por paleontólogos indicam que o acasalamento entre algumas espécies de dinossauros era marcado por extrema violência, a ponto de provocar fraturas ósseas. As conclusões fazem parte de um estudo publicado na revista científica iScience, que aponta evidências de relações reprodutivas capazes de quebrar alguns ossos.
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A pesquisa se aprofundou no estudo do Olorotitan, um dinossauro herbívoro de bico de pato que podia alcançar cerca de oito metros de comprimento e pesar aproximadamente três toneladas. A análise de restos esqueléticos da espécie revelou, de forma recorrente, um elevado número de ossos quebrados e vértebras fraturadas sobrepostas na região da cauda.
Essa espécie de herbívoro era mais comum no período Cretáceo Superior, entre 66 milhões e 100 milhões de anos atrás. Conhecidos pelas mandíbulas potentes e pelos dentes adaptados à trituração de plantas, a espécie também apresentava crista chamativa na cabeça.
As fraturas não vieram de brigas
Os cientistas consideraram a possibilidade de que as fraturas fossem consequência de brigas entre indivíduos ou do deslocamento em grandes bandos. Com o avanço das análises e o surgimento de novas evidências, a equipe concluiu que os danos tinham uma origem distinta, associada ao comportamento reprodutivo da espécie.
O paleontólogo Filippo Bertozzo, do Instituto de Ciências Naturais de Bruxelas, viajou ao Museu Paleontológico de Blagoveshchensk, na Rússia, em 2019, para examinar ossos do dinossauro. Durante a análise, ele identificou lesões incomuns, conforme relatado pela National Geographic. “Quando percebi o que tinha diante de mim, dei um grito de alegria”, declarou Bertozzo.
O pesquisador já havia observado fraturas semelhantes em outras investigações e na literatura científica, especialmente em vértebras quebradas perto dos quadris dos hadrossauros. O estudo confirmou uma teoria que circulava entre especialistas. As fraturas teriam sido causadas pela forma violenta de acasalar.
De que forma aconteciam as fraturas
Esses dinossauros apresentavam somente uma abertura reprodutiva conhecida como cloaca. Ela é responsável pelas funções de digestão, excreção e reprodução. Para a cópula, macho e fêmea precisavam alinhar com precisão essas estruturas, o que demandava contato físico intenso. Com as caudas rígidas e mantidas erguidas, o peso e a pressão exercidos durante o ato aumentavam significativamente o risco de traumas graves em um ou em ambos os animais.

Os ossos se regeneravam naturalmente com o tempo, até a temporada seguinte de acasalamento. Esses dinossauros tinham uma expectativa de vida estimada entre 10 e 20 anos. Apesar da violência associada ao ato, os pesquisadores destacam que o ritual de cortejo era elaborado. Os animais realizavam danças complexas para impressionar possíveis parceiros. Arranhões preservados em rochas antigas indicam que eles se reuniam em arenas de cortejo, raspando o solo em exibições rituais, descritas como uma espécie de pista de dança pré-histórica.
