16/01/2026 - 14:57
Uma descoberta curiosa no cruzamento entre arte e ciência reacendeu o debate em torno de Leonardo da Vinci. Cientistas afirmam ter conseguido extrair, pela primeira vez, vestígios de DNA de um desenho atribuído ao artista, um feito inédito quando se trata de obras renascentistas em materiais como o papel.
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O material genético foi identificado em um esboço feito em giz vermelho conhecido como Holy Child (Criança Sagrada) datado do século XV. O contato direto das mãos do desenhista com o papel pode ter deixado traços biológicos microscópicos preservados ao longo de séculos. Ainda assim, os pesquisadores fazem uma ressalva importante: não é possível afirmar, por enquanto, que o DNA encontrado pertença, de fato, a Leonardo.
Outro ponto que chama atenção é o status do estudo. A pesquisa foi divulgada como pré-print na plataforma bioRxiv, o que significa que os resultados ainda não passaram pelo processo formal de revisão por pares. Isso reforça o caráter preliminar da descoberta e mantém abertas as discussões sobre seus limites, interpretações e implicações.
Como o DNA foi retirado
Um método pouco invasivo, que coleta suaves amostras da superfície do desenho, foi utilizado para retirar o DNA e levá-lo à analise. O material coletado revelou que existe uma mistura de material genético, bactérias, plantas, fungos e vírus. Os cientistas costumam apelidar esse conjunto de “assinaturas biológicas da história”. Um dos principais objetivos é entender essa espécie de bioma reunido em obras centenárias.
O cromossomo Y, considerado quase inalterado hereditariamente, é o ponto mais sensível do estudo. Os estudiosos identificaram uma compatível sequência de haplogrupo E1b1b no desenho e em cartas redigidas por Frosino di ser Giovanni da Vinci, parente distante da família, ainda no século XV.
O mesmo grupo genético de “haplogrupo” pode ser identificado em várias pessoas que tocaram na obra durante todos esses anos, o que dificulta o processo de estabelecer conclusões mais definitivas.
A descoberta não é conclusiva
Nem todos os especialistas concordam entre si sobre o Holy Child ter sido confeccionado por Da Vinci, pois existe a chance dele ter sido desenhado por um aluno dele. O geneticista Charlie Lee, do Jackson Laboratory for Genomic Medicine, definiu a situação como “jogar uma moeda para o alto”, já que o material pode ter sido originada por estudantes restauradores ou curadores. Segundo o Live Science, a pesquisa demonstra mais o potencial da técnica do que uma confirmação.
A comprovação concreta de que o DNA é definitivamente do artista é complexa de estabelecer, já que seu túmulo, na França, foi parcialmente destruído durante a Revolução Francesa, e os restos mortais teriam sido misturados a outros. “A principal limitação é que o DNA coletado na superfície das obras é extremamente sensível à contaminação e às decisões analíticas”, descrevem os estudiosos. Ainda com as imprecisões, eles reconhecem a relevância do resultado. “O estudo demonstra a viabilidade de recuperar material biológico detectável de objetos históricos usando técnicas não destrutivas.”
