Chanceler federal alemão reclama de “obstáculo” criado pelo Parlamento Europeu ao pedir a revisão do tratado no Tribunal de Justiça da UE e defende a implementação provisória dos dispositivos acordados.O chanceler federal alemão, Friedrich Merz, criticou o Parlamento Europeu por judicializar o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, paralisou a entrada em vigor do tratado após 26 anos de negociação.

“Lamento profundamente que o Parlamento Europeu tenha colocado mais um obstáculo em nosso caminho”, disse Merz a líderes políticos e empresariais no Fórum Econômico Mundial, em Davos, nesta quinta-feira (22/01).

“Mas tenham certeza de que não seremos impedidos. O acordo com o Mercosul é justo e equilibrado. Não há alternativa se quisermos ter um maior crescimento na Europa”, afirmou.

O Parlamento Europeu votou na quarta-feira para que o acordo seja revisto pelo Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE). A espera pelo parecer da corte pode atrasar significativamente o processo de ratificação dos dispositivos assinados entre o bloco europeu e o sul-americano, que inclui Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Decisões anteriores tomadas pelos juízes do TJUE levaram entre 16 e 26 meses para serem tomadas.

Merz também criticou o movimento em postagem nas redes sociais. “A decisão do Parlamento Europeu sobre o Acordo com o Mercosul é lamentável. Ela ignora a situação geopolítica. Estamos convencidos da legalidade do acordo. Não pode haver mais atrasos. O acordo deve ser aplicado provisoriamente agora”, argumentou no X.

Em tese, o acordo poderia entrar em vigor provisoriamente mais cedo, caso a Comissão Europeia tome uma decisão nesse sentido. A judicialização do caso foi aprovada por uma pequena margem.

No Fórum Ecônomico, Merz também instou os parceiros europeus a a se adaptarem ao fato de que a velha ordem mundial está “se desfazendo num ritmo impressionante”.

Alemanha é principal interessada no acordo

O tratado de livre comércio visa facilitar o trânsito de mercadorias e serviços entre os 27 Estados-membros da UE e os quatro países do bloco sul-americano.

Com uma economia voltada à exportação, a Alemanha é uma das principais interessadas no acordo. O texto prevê, por exemplo, a eliminação gradual de tarifas de importação para produtos industrializados, como veículos e maquinários, além de medicamentos.

Em 2023, por exemplo, a Alemanha foi o país europeu que mais exportou bens ao Mercosul, o equivalente a 17 bilhões de dólares (R$ 90 bilhões). A cifra foi justamente puxada pela venda de carros, peças automotivas, medicamentos, vacinas, baterias elétricas e petróleo refinado.

Uma vez ratificado, o acordo vai criar um mercado comum que abrange cerca de 720 milhões de pessoas e representará um Produto Interno Bruto (PIB) de mais de 22,4 trilhões de dólares (cerca de R$ 118 trilhões), figurando na lista entre as maiores áreas de livre comércio do mundo.

gq/md (DPA, OTS)