Iniciativa em Berlim leva jornalistas para a sala de aula com o objetivo de treinar alunos a questionar fontes e reconhecer manipulações por inteligência artificial. Ações visam combater campanhas de desinformação estatal.

  • Alunos a partir dos 10 anos aprendem técnicas de verificação, como a pesquisa reversa de imagens.

  • Especialistas alertam que o apelo emocional é a principal ferramenta para a propagação de mentiras.

  • Programa aborda ameaças geopolíticas, incluindo sites fraudulentos atribuídos a atores ligados à Rússia.

  • O projeto busca criar uma barreira crítica em uma geração que acessa o ambiente digital cada vez mais cedo.

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O desafio da alfabetização midiática precoce

Em uma escola de Berlim, estudantes de 11 e 12 anos estão sendo submetidos a um treinamento que muitos adultos ainda desconhecem: a identificação de notícias falsas. A iniciativa, que integra jornalistas ao cotidiano escolar, foca no desenvolvimento do pensamento crítico e na análise de fontes. Segundo a analista política e jornalista Ulrike Gruska, o gatilho emocional é o primeiro sinal de alerta para o leitor.

“Sempre que algo mexer com as suas emoções, pense em uma placa de pare e diga: ‘Espere um pouco'”, orienta Gruska. O desafio é crescente, visto que a maioria das crianças alemãs possui acesso a smartphones aos 10 anos, sendo expostas precocemente a conteúdos manipulados por inteligência artificial (IA) sem o devido preparo cognitivo para filtrá-los.

Ferramentas de verificação e ameaças estatais

Além de técnicas práticas, como a pesquisa reversa de imagens, o programa educativo aborda questões de segurança nacional e geopolítica. Os alunos são apresentados a casos reais de desinformação apoiada por Estados, como a clonagem de sites da renomada revista alemã “Der Spiegel”. Especialistas apontam que a Alemanha é um dos principais alvos de campanhas orquestradas por atores estrangeiros, especialmente vinculados ao governo russo.

“Acho extremamente importante explicar como funcionam essas campanhas. A Alemanha é um dos principais alvos da desinformação russa.”

Para os estudantes, o aprendizado transforma a forma como consomem conteúdo nas redes sociais. “Aprendi que não devemos acreditar em tudo o que está na internet. E se acreditamos, então devemos verificar — e verificar novamente”, resume o aluno Jakob, de 12 anos. O sucesso do projeto em Berlim levanta o debate sobre a necessidade de tornar a alfabetização midiática uma disciplina obrigatória frente ao avanço das tecnologias de manipulação digital.