Washington começou a suspender embargos para permitir transporte e venda do petróleo da Venezuela. Segundo Departamento de Energia, a Casa Branca controlará por tempo “indefinido” a distribuição da matéria-prima.Os Estados Unidos decidiram suspender algumas de suas sanções contra Caracaspara permitir o transporte e a venda de petróleo venezuelano no mercado global, informou o Departamento de Energia americano nesta quarta-feira (07/01).

A pasta também indicou que Washington controlará por tempo “indefinido” a distribuição do petróleo venezuelano aos mercados globais, cujo lucro ficará retido em contas controladas pelo governo americano antes de ser distribuído.

O departamento não especificou, porém, quais sanções seriam flexibilizadas nem quando as mudanças entrariam em vigor. O levantamento dos embargos é necessário para que os EUA possam assumir e destravar a venda do petróleo.

Atualmente, vários navios petroleiros envolvidos no transporte de combustível fóssilda Venezuela estão sancionados por Washington, o que é usado como justificativa pela Casa Branca para interceptar embarcações no Mar do Caribe e no Atlântico Norte.

Controle por tempo indefinido

Na terça-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmara que a Venezuela entregaria aos Estados Unidos entre 30 e 50 milhões de barris do petróleo sob embargo para venda no mercado americano.

Em resposta a jornalistas, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que Washington e Caracas estão próximos de fechar um acordo para ficar com “todo o petróleo que está retido na Venezuela”.

Mais cedo, porém, Washington informou que planeja controlar por “tempo indefinido” também as vendas futuras de petróleo da Venezuela, e não apenas o estoque sancionado.

“Vamos colocar no mercado o petróleo que estiver saindo da Venezuela, primeiro esse petróleo retido e, então, indefinidamente, daqui para frente, venderemos a produção que sair da Venezuela no mercado”, declarou o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, em uma conferência sobre energia da Goldman Sachs em Miami.

Lucro retido em Washington

Questionada se a Venezuela acatará a determinação, a Casa Branca endossou que as decisões do governo interino venezuelano serão “ditadas” por Washington.

Segundo a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, os Estados Unidos têm “máxima influência” sobre as autoridades interinas da Venezuela.

“Continuamos em estreita coordenação com as autoridades interinas, e suas decisões continuarão a ser ditadas pelos Estados Unidos da América”, disse Leavitt em uma coletiva de imprensa.

Já Wright afirmou que trabalha “em cooperação” com os venezuelanos para definir como a distribuição do petróleo acontecerá.

Segundo ele, Washington permitirá a venda de petróleo da Venezuela para refinarias americanas e globais. A venda será feita pelo governo dos EUA e o dinheiro depositado em contas controladas pelo governo americano, destacou.

“E então, a partir daí, esses fundos podem retornar à Venezuela para beneficiar o povo venezuelano, mas precisamos ter esse poder e esse controle sobre as vendas de petróleo para impulsionar as mudanças que simplesmente devem ocorrer na Venezuela”, completou Wright.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, endossou que o óleo será vendido a preço de mercado e os lucros serão administrados pela Casa Branca. Na prática, a decisão deixa Caracas dependente da liberação de recursos por Washington, uma vez que as exportações de petróleo são hoje a principal fonte de receita e divisas do governo venezuelano.

Movimento irrita China e Rússia

O novo controle sobre o petróleo venezuelano também deve gerar problemas principalmente para países que até então adquiriam combustíveis fósseis de Caracas, como a Rússia e a China.

Os chineses são os maiores compradores de petróleo bruto da Venezuela e o país seria o destino do petróleo retido pelos EUA. Pequim acusou Washington de intimidação.

Nesta quarta-feira, forças militares dos Estados Unidos interceptaram um navio petroleiro sancionado que fugiu antes de chegar à Venezuela, após rastreá-lo no Atlântico durante quase três semanas de perseguição.

A abordagem irritou Moscou, que havia registrado a embarcação durante a perseguição. Questionada, Leavitt defendeu que Trump tem boa relação com os líderes da Rússia e da China, e que a abordagem ao navio apenas cumpre o embargo imposto à “frota fantasma” que transporta petróleo sancionado.

Trump se reúne com executivos do setor

Na próxima sexta-feira, Trump se reunirá com executivos do setor petrolífero dos EUA para discutir planos para a Venezuela, informou a Casa Branca.

Após a captura de Maduro, o presidente americano estimou que, em um prazo de 18 meses, as petrolíferas americanas reativarão a produção venezuelana. O país sul-americano tem as maiores reservas de petróleo do mundo, 17% do total, mas agora contribui com apenas 1% da produção.

gq/le (AFP, DPA, DW, EFE)