Navio da chamada “frota fantasma” foi interceptado no Mar do Caribe por fuzileiros navais. É o quinto petroleiro detido pelos EUA em sua campanha contra o comércio ilegal de petróleo a partir da Venezuela.Forças americanas interceptaram mais um petroleiro no Mar do Caribe nesta sexta-feira (09/01), informou o Exército dos Estados Unidos, enquanto o governo do presidente Donald Trump continua sua campanha contra navios alvo de sanções internacionais na costa da Venezuela.

A ação foi conduzida por fuzileiros navais e soldados da Marinha americana, forças que vêm atuando no Caribe nos últimos meses, de acordo com o Comando Sul dos EUA. “Não há refúgio seguro para criminosos”, disse o comando militar americano na região ao anunciar a apreensão do Olina, o quinto petroleiro capturado pelas forças americanas.

A apreensão é parte de um esforço mais amplo do governo Trump para controlar a distribuição de petróleo da Venezuela em nível global, após a captura do presidente Nicolás Maduro em uma operação militar americana.

Washington mobilizou uma enorme força naval no Caribe, que realizou diversos ataques a barcos supostamente envolvidos com o narcotráfico, concluiu com êxito a operação para capturar o líder venezuelano e apreendeu petroleiros da chamada “frota fantasma” de navios que transportam petróleo da Rússia, do Irã e da Venezuela, desafiando as sanções ocidentais.

“Não há refúgio seguro para criminosos” bloqueio naval

A secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, disse que o Olina seria “outro navio-tanque da ‘frota fantasma’ suspeito de transportar petróleo embargado” que “partiu da Venezuela tentando escapar das forças americanas”.

“As frotas fantasmas não escaparão da justiça. Elas não se esconderão sob falsas alegações de nacionalidade”, escreveu Noem em postagem no X.

O Comando Sul dos EUA, responsável pelas forças americanas na região, disse que fuzileiros navais e soldados da Marinha dos EUA participaram da operação, partindo do USS Gerald R. Ford, o maior porta-aviões do mundo, enviado para a região no ano passado. O comando militar americano informou que a Guarda Costeira dos EUA assumiu o controle da embarcação.

“Mais uma vez, nossas forças conjuntas interagências enviaram uma mensagem clara esta manhã: ‘não há refúgio seguro para criminosos'”, escreveu o Comando Sul no X, em uma postagem que incluía um vídeo mostrando forças americanas descendo de rapel de um helicóptero e assumindo o controle do navio.

No mês passado, Trump ordenou um bloqueio naval para impedir que petroleiros sancionados se dirijam ou partam da Venezuela.

Entre os navios apreendidos estava um petroleiro ligado à Rússia que foi interceptado no Atlântico Norte nesta quarta-feira após ser perseguido por forças americanas desde a costa da Venezuela. A operação foi condenada por Moscou.

Navio de bandeira falsa

Não foi informado se o Olina era afiliado à Venezuela ou estava sob sanções. No entanto, registros do governo dos EUA indicam que o navio foi sancionado por transportar petróleo russo sob seu nome anterior, Minerva M, e com bandeira do Panamá.

Embora registros mostrem que o Olina utiliza atualmente a bandeira do Timor-Leste, ele também consta no registro internacional de navegação como tendo bandeira falsa, o que significa que seu registro não é válido. Em julho, os dados sobre o proprietário e administrador do navio foram alterados, substituídos pelo nome de uma empresa em Hong Kong.

Segundo alguns portais de rastreamento de navios, o Olina transmitiu sua localização pela última vez em novembro, no Caribe, ao norte da costa venezuelana. Desde então, está com seu sinalizador de localização desligado.

O navio tem uma capacidade de carga declarada de até 890.000 barris de petróleo, o que, ao preço atual de mercado de cerca de 60 dólares (R$ 373,9) por barril, equivaleria a cerca de 53 milhões de dólares.

rc/le (AP, AFP)