31/01/2026 - 13:38
Ao menos 300 atos em todos os estados americanos devem acontecer neste final de semana. Governo não consegue aprovar orçamento devido a impasse sobre financiamento do ICE e enfrenta shutdown parcial.Mais de 300 protestos contra a atuação do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) americano devem tomar várias regiões dos EUA neste sábado (31/01). Intitulado “ICE Fora de Todos os Lugares”, o movimento confronta as táticas anti-imigração adotadas pelo governo de Donald Trump, que deixaram dois civis mortos em Minneapolis e na vizinha St. Paul.
Os atos convocados pela organização 50501 estão previstos em todos os estados americanos, e devem acontecer ao redor de centros de detenção, escritórios do ICE e parlamentos locais.
Manifestantes também devem se reunir em aeroportos como forma de criticar companhias aéreas usadas para transportar pessoas deportadas pelo governo americano.
Protestos também acontecem em Milão, onde manifestantes criticam o envio de agentes do ICE ao destacamento de segurança dos atletas dos próximos Jogos Olímpicos de Inverno.
No Congresso americano, senadores republicanos abriram uma disputa sobre a nova legislação orçamentária. Parlamentares democratas defendem o bloqueio dos recursos para impedir um aumento do financiamento do Departamento de Segurança Interna, que supervisiona o ICE.
Governo e oposição fizeram um acordo para manter funcionamento parcial do governo e votar separadamente os recursos para o órgão, mas a proposta só será analisada pela Câmara dos Representantes, a casa baixa do Congresso, na segunda-feira. Até lá, o governo deve enfrentar uma paralisação parcial.
Milhares protestam em Minneapolis
Na sexta-feira, milhares de pessoas já haviam tomado as ruas de Minneapolis, epicentro dos confrontos com o ICE, em um dia que também teve uma greve geral “sem trabalho, sem escola, sem compras”.
Eles carregavam cartazes sob temperaturas congelantes com frases como “ICE fora agora” e pediam o impeachment de Trump. O músico Bruce Springsteen participou de um show beneficente.
A paralisação também atingiu Los Angeles e o boicote às aulas foi registrado em Indiana, Wisconsin e Maine. Algumas escolas no Arizona, Colorado e em outros estados cancelaram as aulas de forma preventiva, antecipando ausências em massa.
No mês passado, o ICE lançou a Operação Metro Surge em Minneapolis, numa tentativa de deter imigrantes indocumentados na área metropolitana. Cerca de 3 mil agentes federais foram destacados. Mas a morte de dois cidadãos americanos, Renee Good e Alex Pretti, provocou indignação inclusive de aliados de Trump.
Departamento de Justiça abre investigação
O Departamento de Justiça dos EUA abriu uma investigação de direitos civis sobre a morte do enfermeiro Alex Pretti, de 37 anos, baleado por agentes federais.
“Estamos analisando tudo o que possa esclarecer o que aconteceu naquele dia e nas semanas anteriores”, disse o vice‑procurador‑geral Todd Blanche.
A decisão levantou dúvidas sobre a capacidade do governo federal de investigar de forma independente uma morte causada por seus próprios agentes. Além disso, investigação sobre a morte de Renee Good, baleada por um agente do ICE, não foi aberta.
Contudo, o governo Trump indiciou o ex‑âncora da CNN americana Don Lemon e outras oito pessoas por violações de direitos civis, após o jornalista cobrir um protesto em uma igreja onde um funcionário do ICE atua como pastor.
Lemon é acusado de conspiração para privar direitos e interferir em direitos garantidos pela Primeira Emenda. Ele foi detido e liberado após audiência de custódia. “Não há momento mais importante do que este, exatamente agora, para uma mídia livre e independente que ilumine a verdade e responsabilize aqueles que estão no poder”, disse ele.
gq (DW, AFP, AP)