06/01/2026 - 16:40
Em nova denúncia apresentada contra o líder venezuelano, Departamento de Justiça afirma que ele não lidera Cartel de los Soles, mas se beneficia de um”sistema de clientelismo” pró-narcotráfico.O governo dos EUArecuou em sua acusação contra Nicolás Maduro e deixou de tomar o venezuelano como o líder da suposta facção Cartel de los Soles.
A nova acusação criminal apresentada pelo Departamento de Justiça americano neste sábado (03/01), após a captura de Maduro, também deixa de citar o Cartel de los Soles como uma organização criminosa e, no lugar, se refere a ele como um “sistema de clientelismo administrado por aqueles que estão no topo”.
O texto veio à tona após reportagem do jornal americano The New York Times.
A denúncia reescrita muda a linguagem usada há cinco anos na primeira acusação formal contra Maduro, e agora passa a considerar que o líder venezuelano “participa, perpetua e protege uma cultura de corrupção” que leva ao enriquecimento das elites venezuelanas por meio do tráfico de drogas.
A referência de Maduro como o chefe da suposta organização havia sido repetidamente patrocinada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, como principal motivo para a pressão americana contra Caracas que culminou na captura do líder venezuelano.
Mudança de percepção sobre Cartel de los Soles
Washington havia designado o Cartel de los Soles como uma “organização terrorista estrangeira” em novembro de 2025. O nome, que em português se traduz para “cartel dos sóis”, é uma referência a insígnias em formato de sol usadas por militares venezuelanos.
Contudo, diversos analistas são céticos de que o grupo exista de fato e atue como uma facção criminosa tradicional, como o Tren de Aragua. O termo, na verdade, ganhou popularidade na década de 1990, usado como jargão na imprensa para descrever oficiais que se corrompiam por dinheiro originado no narcotráfico. O regime chavista sempre disse que a existência de tal facção seria uma “ficção” promovida por Washington.
Ao tomar o cartel como uma organização criminosa, os EUA usavam uma linguagem jurídica estabelecida em 2020, quando o Departamento de Justiça apresentou as primeiras acusações formais contra Maduro e outros 14 membros do regime chavista por narcoterrorismo, lavagem de dinheiro e corrupção.
Naquele ano, o primeiro governo Trump havia classificado o Cartel de los Soles como uma “organização criminosa”, e afirmava que ela seria liderada por autoridades de alto escalão do Exército venezuelano e também por Maduro.
Ainda na primeira acusação, o Departamento de Justiça afirmara que o então presidente venezuelano “liderou e ajudou a administrar” o Cartel de los Soles. A um tribunal de Novo York, Maduro se declarou inocente das acusações .
Nova linguagem para o papel de Maduro
Segundo o The New York Times, o novo texto muda o tom sobre a relação do venezuelano com a suposta facção.
Enquanto a antiga acusação, de 2020, fazia 32 menções ao Cartel de los Soles, o novo texto da promotoria foca no envolvimento de líderes chavistas no que chama de “sistema de clientelismo”, citado apenas duas vezes, diz o jornal.
“Os lucros dessa atividade ilegal fluem para funcionários civis, militares e de inteligência corruptos, que operam em um sistema de clientelismo dirigido pelos que estão no topo – conhecido como Cartel de Los Soles, uma referência à insígnia do sol afixada nos uniformes dos oficiais militares venezuelanos de alto escalão”, diz o novo documento.
“Como presidente da Venezuela, Maduro permite que a corrupção alimentada pela cocaína prospere em benefício próprio, em benefício dos membros do seu regime governante e em benefício dos membros da sua família”, consta no texto.
A nova orientação da justiça americana coloca em xeque também a designação do Cartel de los Soles como organização terrorista, que fora amplamente usado para justificar a intervenção em solo venezuelano.
gq/le (ots)
