Segundo mídia americana, Trump enviou à região porta-avião, caças e navios de guerra, enquanto alivia retórica de ameaça ao regime persa, que matou milhares de manifestantes nas últimas semanas.Enquanto Donald Trump acompanha o desenrolar da situação no Irã e avalia como agir, os Estados Unidos estão tomando mais medidas para aumentar a pressão política, militar e econômica sobre o regime dos aiatolás.

O presidente está aberto à diplomacia , mas não descartou as opções militares, relatam veículos de imprensa americanos. Fontes do governo afirmam que a decisão de ordenar um ataque depende do que as agências de segurança iranianas farão a seguir em relação aos protestos em curso, provavelmente a maior onda antigovernista no país desde a Revolução Islâmica de 1979.

Mesmo com a sinalização de uma suspensão de ação militar iminente, o Pentágono determinou o envio de armamento e equipamentos de defesa para a região, como o porta-aviões Abraham Lincoln, segundo informações publicadas nesta quinta-feira (15/01) pelo jornal The New York Times.

Alguns dos navios de guerra americanos estão indo em direção ao Oriente Médio a partir do Mar da China Meridional, uma viagem de cerca de uma semana, de acordo com fontes ouvidas pela publicação.

Uma série de aviões de guerra, caças e equipamentos de defesa aérea também deve começar a chegar à região em breve, muitos deles vindos da Europa, prossegue a reportagem.

Ameaças

Desde o início dos protestos em massa contra o governo autoritário do Irã , há mais de duas semanas, Trump tem ameaçado repetidamente o país com “uma ação contundente” se Teerã optasse por executar detidos.

Pouco depois dos comentários do presidente americano, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, informou que não há planos para o “enforcamento” de manifestantes — uma prática comum em repressões anteriores. A decisão icluiria Erfan Soltani, um manifestante de 26 anos detido durante os tumultos no país e anteriormente condenado à morte .

Os protestos no Irã foram desencadeados, entre outras coisas, por uma grave crise econômica, alta inflação e insatisfação generalizada com a liderança em Teerã. As forças de segurança iranianas têm reprimido brutalmente os protestos, com relatos de milhares de mortes.

Aliados pedem para que EUA não ataquem

Trump alega que começou a moderar o tom de suas ameaças de intervenção militar após ter sido informado por uma “fonte segura” de que a “matança” no país persa havia diminuído, o que é difícil de ser verificado de forma independente devido ao bloqueio de internet ainda em vigor.

A organização Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega, afirmou nesta quarta-feira que o total de mortos desde dezembro ultrapassa 3.400 pessoas.

A moderação momentânea de Trump reflete pressões internas na Casa Branca e alertas de aliados regionais, que pedem cautela diante do risco de uma escalada do conflito no Oriente Médio. Israel, Catar, Arábia Saudita, Omã e Egito são alguns dos que têm tentado convencer Trump a abandonar sua retórica de pressão total sobre Teerã.

Segundo um alto funcionário saudita citado pela agência de notícias AFP, Arábia Saudita, Catar e Omã lideraram “um longo e frenético esforço diplomático de última hora para convencer o presidente Trump a dar ao Irã uma chance de mostrar boas intenções”.

No entanto, o temor de uma ofensiva “rápida e decisiva” ao regime dos aiatolás e o fechamento temporário do espaço aéreo por parte do Irã nesta quinta-feira, ainda levantam dúvidas sobre a situação real da tensão entre os países.

EUA e Irã na ONU

Após semanas de tensão crescente, autoridades americanas e iranianas se encontraram na quinta no Conselho de Segurança da ONU, onde o enviado dos Estados Unidos, Mike Waltz, renovou as ameaças contra a República Islâmica.

“Colegas, deixem-me ser claro: o presidente Trump é um homem de ação, não de conversas intermináveis como vemos nas Nações Unidas”, disse Waltz. “Ele deixou claro que todas as opções estão em aberto para impedir o massacre. E ninguém deveria saber disso melhor do que a liderança do regime iraniano.”

O embaixador do Irã no Paquistão, Reza Amiri Moghadam, disse que “Trump informou a Teerã que não atacará o país e pediu que o Irã também demonstre moderação”.

Sanções contra membros do regime

Ainda na quinta, o Departamento do Tesouro anunciou novas sanções contra o secretário-geral do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, um oficial próximo do Líder Supremo do Irã, Ali Khamenei .

Vários comandantes das forças de segurança interna do Irã e da Guarda Revolucionária Islâmica envolvidos na morte de manifestantes também foram sancionados, além de entidades afiliadas à rede bancária paralela do Irã.

sf/md (AP, DPA, ots)