10/02/2026 - 18:44
Menções a membros da realeza, diplomatas e ex-líderes de governo têm gerado onda de renúncias e inquéritos. Legisladores pressionam por apuração de fatos ligados a suposta rede transnacional.O aparecimento de nomes ligados a vários governos nos arquivos do caso Epstein tem levado eurodeputados a pedirem a coordenação de esforços de investigação a nível da União Europeia (UE).
Enquanto a pressão aumenta sobre membros da realeza, diplomatas e ex-líderes de governo, a percepção de parte da classe política é que o esclarecimento dos fatos ligados ao criminoso sexual Jeffrey Epstein não pode ficar exclusivamente nas mãos dos Estados Unidos.
Ao jornal alemão Handelsblatt, a chefe da Comissão de Segurança e Defesa do Parlamento Europeu, Marie-Agnes Strack-Zimmermann, disse que redes criminosas transnacionais devem ser investigadas conjuntamente por membros da UE.
“Instituições europeias como a Europol e autoridades anti-lavagem de dinheiro relevantes deveriam pronta e sistematicamente avaliar as informações existentes e, onde necessário, cooperar de perto com parceiros internacionais.”
O Departamento de Justiça dos EUA liberou em 30 de janeiro um conjunto de 3,5 milhões de documentos, e-mails, fotos e vídeos de Epstein, que morreu na prisão enquanto aguardava julgamento em 2019.
Investigações e renúncias
Desde então, a Noruega está entre os países mais atingidos, com a princesa herdeira Mette-Marit no centro das atenções. A parceira do herdeiro do trono norueguês trocou centenas de e-mails com Epstein entre 2011 e 2014, após a primeira condenação do financista em 2008.
“Lamento profundamente minha amizade com Jeffrey Epstein”, disse Mette-Marit em comunicado da semana passada.
A polícia norueguesa abriu ainda uma investigação por corrupção contra o ex-primeiro-ministro Thorbjorn Jagland e a diplomata sênior Mona Juul, junto com seu marido Terje Rod-Larsen, por terem supostamente atuado como cúmplices de Epstein. Os investigadores examinam os vínculos de Jagland e Jull com Epstein enquanto eles atuavam, respectivamente, em posições de poder.
Já o Fórum Econômico Mundial investiga o seu diretor-executivo, Borge Brende, que é ex-diplomata norueguês, devido a 100 mensagens de texto e e-mails com Epstein, além de três encontros pessoais com o magnata. Brende afirma que desconhecia as atividades criminosas de Epstein.
Na Eslováquia, Miroslav Lajcak renunciou ao cargo de assessor de segurança nacional depois que veio à tona que ele trocou mensagens sobre mulheres com Epstein quando era ministro das Relações Exteriores.
O ex-ministro da Cultura da França Jack Lang, de 86 anos, figura importante do Partido Socialista, teve que deixar o cargo de diretor do Instituto do Mundo Árabe, em Paris, sob pressão após o seu envolvimento com o caso vir à tona. A sua filha renunciou à presidência de um sindicato de produtores de cinema, após a revelação de seus vínculos pessoais e comerciais com Epstein.
Também a responsável pela captação de recursos do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) na Suécia, Joanna Rubinstein, se viu forçada a renunciar. Ela visitou a ilha caribenha de Epstein com a sua família em 2012.
Abalo no Reino Unido
Fora da UE, o Reino Unido é outro epicentro do escândalo Epstein. O primeiro-ministro Keir Starmer luta para manter o cargo após nomear o ex-ministro Peter Mandelson como embaixador em Washington.
O nome de Mandelson é mencionado milhares de vezes nos arquivos. Ele manteve contato com Epstein depois de afirmar que havia rompido relações com o americano e pode ter recebido transferências de dinheiro.
Mandelson agora enfrenta uma investigação policial, depois de ter sido demitido do posto de embaixador em setembro e obrigado a deixar a Câmara dos Comuns na semana passada.
O escândalo envolvendo Mandelson também repercutiu na Ue. A Comissão Europeia, braço Executivo do bloco, anunciou, também nesta terça, que vai analisar se o britânico violou normas de conduta.
Peter Mandelson foi Comissário Europeu pelo Reino Unido, assumindo a pasta do Comércio em novembro de 2004. Ele atuou na Comissão Europeia até outubro de 2008.
Irmão do rei Charles III, Andrew Mountbatten-Windsor, que já havia perdido seus títulos de príncipe e duque de York devido aos vínculos com Epstein, foi novamente envolvido nas revelações mais recentes.
Uma foto o mostra inclinado sobre uma mulher deitada no chão. A polícia britânica afirma estar investigando possível má conduta relacionada ao vazamento de documentos confidenciais para Epstein quando Andrew era enviado comercial do governo. Sua ex-esposa, Sarah Ferguson, também demonstrou ter laços estreitos com Epstein.
ht (AFP, ots)
