23/02/2026 - 16:22
Lorde Mandelson é suspeito de repassar informações confidenciais a magnata americano condenado por crimes sexuais; ele e o marido brasileiro teriam recebido dezenas de milhares de dólares.Citado no caso Jeffrey Epstein, o ex-ministro trabalhista e ex-embaixador britânico Peter Mandelson foi detido nesta segunda-feira (23/02) em Londres, sob suspeita de má conduta em cargo público. Ele é suspeito de ter repassado informações confidenciais ao criminoso sexual americano em 2009.
Na semana passada, o ex-príncipe Andrew Mountbatten‑Windsor já havia sido detido sob suspeita de ter se engajado em conduta semelhante. Ele foi libertado depois de onze horas.
O suposto envolvimento de Mandelson, de 72 anos, com o caso Epstein ganhou novas dimensões em janeiro, com a divulgação de uma nova leva de documentos pelo Departamento de Justiça dos EUA.
A papelada indica que Mandelson, então secretário de Negócios no governo do primeiro-ministro Gordon Brown (2007-2010), compartilhou com Epstein dados financeiros confidenciais e sensíveis durante a crise financeira de 2008.
Entre os materiais enviados estariam análises internas sobre políticas econômicas, planos de venda de ativos, discussões sobre crédito empresarial e informações antecipadas sobre um pacote de resgate do euro, além de contatos sobre a taxação de bônus bancários.
Há também registros de transferências de cerca de 75 mil dólares (R$390 mil) de contas associadas a Epstein para contas ligadas a Mandelson ou ao marido, o brasileiro Reinaldo Ávila da Silva. O britânico nega que tenha havido suborno.
Epstein teria ainda financiado, em 2009, um curso de osteopatia de Ávila, com uma transferência de cerca de 10 mil libras (cerca de R$ 70 mil).
Risco de prisão perpétua
Uma condenação por má conduta em cargo público prevê uma pena máxima de prisão perpétua e deve ser julgada em um Tribunal da Coroa, que só lida com os crimes mais graves.
O escândalo levou Mandelson a renunciar, no início do mês, ao cargo vitalício na Câmara dos Lordes, que é parte do Parlamento britânico.
Os seus laços com Epstein haviam começado a vir à tona em setembro, quando ele foi demitido do cargo de embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos.
Epstein, que morreu na prisão em 2019, era suspeito de ter comandado uma rede de tráfico e abuso sexual ao longo de vários anos.
O escândalo envolvendo Mandelson também repercutiu na União Europeia. A Comissão Europeia, braço Executivo do bloco, anunciou, também nesta segunda, que vai analisar se o britânico violou normas de conduta. Peter Mandelson foi Comissário Europeu pelo Reino Unido, assumindo a pasta do Comércio em novembro de 2004. Ele atuou na Comissão Europeia até outubro de 2008.
ht/ra (Lusa, Reuters)
