10/01/2026 - 10:24
Em reunião com Trump, grandes petrolíferas hesitam em se comprometer com investimentos de longo prazo na Venezuela devido à instabilidade política e altos custos.O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pressionou nesta sexta-feira (09/01) executivos das maiores empresas petrolíferas do mundo a investirem na Venezuela, mas foi recebido por eles com cautela.
As grandes petrolíferas hesitam em se comprometer com investimentos de longo prazo na Venezuela devido aos altos custos e à instabilidade política. O presidente-executivo da ExxonMobil, Darren Woods, até mesmo descartou o país sul-americano como inviável para investimentos se não forem feitas reformas profundas. A ExxonMobil é a maior empresa petrolífera dos EUA.
Durante uma reunião nesta sexta-feira na Casa Branca, Trump pressionou para que as empresas invistam 100 bilhões de dólares no país sul-americano para expandir drasticamente a produção local de petróleo.
Trump afirmou que, se as empresas estrangeiras não dispunham de proteção significativa sob o regime do governante capturado Nicolás Maduro, “agora há segurança total”. Ele também enfatizou que as empresas negociariam apenas com Washington, e não com Caracas, na exploração dos recursos petrolíferos da Venezuela.
“Se você não quiser entrar [na Venezuela], é só me avisar, porque tenho 25 pessoas que não estão aqui hoje e que estão dispostas a ocupar seu lugar”, disse Trump aos executivos. Ele afirmou que os Estados Unidos e a Venezuela estão “trabalhando bem juntos” para reconstruir a infraestrutura energética do país sul-americano.
Ativos confiscados
O CEO da ExxonMobil disse na reunião na Casa Branca que a empresa considera impossível investir atualmente na Venezuela e que são necessárias mudanças significativas para a Exxon retornar ao país.
“Nossos ativos foram confiscados lá duas vezes, então você pode imaginar que reentrar uma terceira vez exigiria mudanças bastante significativas”, disse Woods.
Ele acrescentou que sua empresa enviaria uma equipe para avaliar a situação. “Mudanças significativas precisam ser feitas nas estruturas comerciais, no sistema jurídico, é preciso haver proteções duradouras para os investimentos e é preciso haver mudanças nas leis de hidrocarbonetos no país”, disse Woods.
“Estamos confiantes de que, com este governo e o presidente Trump trabalhando em conjunto com o governo venezuelano, essas mudanças podem ser implementadas”, afirmou.
A ExxonMobil e a ConocoPhillips deixaram a Venezuela há quase 20 anos, após a nacionalização de seus ativos. A Chevron é a única grande petrolífera americana que ainda opera no país.
O vice-presidente da Chevron, Mark Nelson, afirmou que a empresa está comprometida com investimentos na Venezuela.
O Instituto Americano do Petróleo (API), o maior grupo de lobby da indústria petrolífera, classificou a reunião na Casa Branca de uma “conversa inicial construtiva” que destacou tanto o potencial energético da Venezuela quanto seus desafios, incluindo segurança e governança estável.
Maiores reservas do mundo
Trump declarou o petróleo como prioridade em sua estratégia para a Venezuela após forças militares americanas capturarem Maduro numa operação noturna em Caracas, em 3 de janeiro.
O encontro ocorreu no mesmo dia em que as forças americanas apreenderam seu quinto navio-tanque ligado ao petróleo venezuelano nos últimos 30 dias, uma ação que reflete a determinação dos EUA em controlar totalmente a exportação, o refino e a produção de petróleo venezuelano.
“Vamos tomar a decisão sobre quais empresas petrolíferas entrarão no país”, disse o presidente dos EUA. Ele elogiou um acordo com os líderes interinos da Venezuela para fornecer 50 milhões de barris de petróleo bruto aos EUA, onde numerosas refinarias estão especialmente equipadas para refinar esse produto.
Trump disse que espera que essas entregas continuem indefinidamente. “Uma das coisas que os Estados Unidos ganham com isso será preços de energia ainda mais baixos”, disse ele. Alguns parlamentares democratas criticaram essa abordagem como extorsão.
A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo, estimadas em 303 bilhões de barris de 159 litros. Esse petróleo é composto principalmente de petróleo bruto pesado, que só pode ser refinado com tecnologia especial. Diversas refinarias ao longo da costa do Golfo do México, nos Estados Unidos, estão equipadas para processar esse tipo de petróleo.
Apesar de suas vastas reservas, a indústria petrolífera venezuelana encontra-se em estado precário. Especialistas afirmam que a reconstrução da capacidade produtiva levaria anos e exigiria investimentos da ordem de bilhões de dólares.
Entre as empresas presentes à reunião estavam ainda ConocoPhillips, Halliburton, Valero, Marathon, Shell, a Trafigura, com sede em Singapura, a Eni, com sede na Itália, e a Repsol, com sede na Espanha.
as (Reuters, AP, AFP, DPA)
