06/03/2026 - 15:43
Apesar de a Bundeswehr não participar da guerra no Irã, bases com tropas alemãs no Oriente Médio foram atingidas por ataques. Soldados atuam na região em missões de apoio e treinamento.Buscar abrigo: foi o que os soldados alemães na Jordânia e no Iraque tiveram que fazer no último fim de semana – de 28 de fevereiro a 1º de março de 2026. Após os bombardeios de Israel e dos Estados Unidos ao Irã, a República Islâmica lançou contra-ataques visando instalações militares americanas. No entanto, bases onde a Bundeswehr (Forças Armadas alemãs) estão estacionadas como parte de missões internacionais também foram atingidas.
Os ataques atingiram uma base militar perto de Erbil, no norte do Iraque, e outra na Jordânia, o que foi confirmado por um porta-voz do Comando Operacional das Forças Armadas Alemãs. Ninguém ficou ferido. Os soldados permaneceram em posições protegidas ou abrigos, e os sistemas de defesa aérea interceptaram mísseis e drones.
“Os soldados e contingentes alemães não eram o alvo direto”, afirmou o Ministério da Defesa. As bases militares afetadas não são operadas pela Forças Armadas alemãs. A Alemanha está lá apenas como convidada, juntamente com tropas de outras nações, incluindo os EUA.
“Alemanha não é parte da guerra”, diz ministro
O Ministério da Defesa enfatizou que tomou as devidas precauções para proteger os soldados alemães no Oriente Médio. “A Alemanha não é parte da guerra; a Bundeswehr não participará desta guerra”, declarou o Ministro da Defesa, Boris Pistorius, ao Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão) na quarta-feira (04/03).
A principal prioridade do governo federal agora é a proteção dos cidadãos e soldados alemães na região, onde a situação é altamente dinâmica e perigosa.
Diante das hostilidades em curso na região, muitos se perguntam se os soldados alemães devem permanecer no Oriente Médio. O Ministério da Defesa precisa avaliar se a Bundeswehr ainda pode cumprir suas missões no terreno sem se tornar um alvo.
Onde estão os soldados alemães no Oriente Médio
Existem duas missões principais nas quais as Forças Armadas Alemãs estão envolvidas no Oriente Médio. Como parte da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil), mais de 200 soldados alemães e uma fragata da Marinha Alemã atuam na proteção das fronteiras marítimas do Líbano.
A missão visa impedir o contrabando de armas para o Líbano por via marítima. A Bundeswehr também treina soldados da Marinha libanesa. O mandato, que vem sendo prorrogado repetidamente pelo Parlamento há quase 20 anos, expira em 30 de junho. Não se sabe se a missão continuará após essa data.
No Iraque e na Jordânia, os militares alemães participam de uma missão internacional contra o grupo terrorista “Estado Islâmico” (EI). O nome oficial da missão reflete o fato de que ela foi complementada e ampliada diversas vezes desde sua criação, em 2015: “Missão de Combate ao Daesh [acrônimo em árabe do EI]/Capacitação no Iraque/Missão da Otan no Iraque”.
A missão visa estabilizar o Iraque e impedir o ressurgimento do EI, que permanece ativo na região. Isso está sendo alcançado, entre outras coisas, por meio do treinamento das Forças Armadas locais, no qual a Bundeswehr também participa.
Tensões levaram a redução de contingente em Erbil
O foco da missão das Forças Armadas alemãs no Iraque e na Jordânia é a metrópole curda de Erbil, no norte do país. Alguns assessores também trabalham na capital iraquiana, Bagdá. O contingente em Erbil já havia sido reduzido em meados de fevereiro, quando as tensões entre os EUA e o Irã aumentaram.
A maior parte das tropas alemãs para esta missão está estacionada na base aérea de Al-Azraq, na Jordânia. Lá, a Bundeswehr apoia a missão internacional com aeronaves de reabastecimento em voo e capacidades de transporte aéreo — algo que pode ser útil em caso de retirada rápida em direção à Alemanha.
O limite máximo para o contingente alemão na Jordânia e no Iraque é de 500 soldados. Atualmente há mais de 200, segundo informações do Ministério da Defesa, que se recusou a fornecer números mais precisos.
Em janeiro, o mandato foi prorrogado por mais um ano pelo Parlamento, até 31 de janeiro de 2027. “Não há ajustes planejados no momento”, disse um porta-voz do Comando Operacional da Bundeswehr à DW, assegurando que a missão continuará conforme o planejado.
O governo alemão tem se mantido vago até o momento sobre o futuro geral dos destacamentos no Oriente Médio.
Cerca de 2 mil soldados em três continentes
Essas não são as únicas missões internacionais. De acordo com o Ministério da Defesa, aproximadamente 2 mil soldados alemães estão atualmente ativos em 17 destacamentos e missões reconhecidas em três continentes.
Uma coisa, porém, é certa: as Forças Armadas Alemãs estão sobrecarregadas. Some-se a isso a ameaça aos soldados alemães no Oriente Médio, cuja segurança está sendo reavaliada a cada hora pelo Comando Operacional da Bundeswehr.
A primeira questão que surge diz respeito à missão Unifil na costa libanesa, cujo mandato expira no final de junho. Henning Otte, Comissário Parlamentar para as Forças Armadas, acredita que seria correto não prorrogar esta missão novamente.
“Quando ouço o que me é relatado pelo comando naval, percebo que há uma carga de trabalho particularmente elevada”, disse Otte recentemente em coletiva de imprensa em Berlim. “O apelo é para que se concentrem nas missões necessárias e, neste caso, a defesa da aliança [Otan] precisa receber muito mais atenção”.
