Vídeo que afirma que presidente francês frequentava festas do magnata teve 700 mil visualizações no X. Autoridades apontam rede russa Storm-1516 como autora dos ataques.Autoridade francesas anunciaram, nesta sexta-feira (06/02), ter descoberto uma campanha de desinformação russa que associava falsamente o presidente Emmanuel Macron ao criminoso sexual Jeffrey Epstein.

Os ataques consistiam na “criação de um site que usurpa a identidade do [jornal] France-Soir” e na publicação de um artigo acusando o presidente francês de estar envolvido no escândalo de exploração sexual do magnata americano. A informação falsa foi depois difundida no X, rede social de Elon Musk, por meio de um vídeo que acumulou cerca de 700 mil visualizações.

O primeiro a tomar conhecimento dessa tentativa de interferência russa foi o departamento de verificação de dados da Radio France. De acordo com uma fonte do governo, contatada pela emissora pública, o ataque está vinculado à rede russa Storm-1516, cujo modus operandi tem sido documentado desde o final de 2023 pelo Serviço de Vigilância e Proteção contra Interferências Digitais Estrangeiras (Viginum), órgão do governo francês.

O texto inicial, que afirmava que Macron frequentava festas na casa de Epstein em Paris, “na presença de jovens”, foi publicado na tarde de quarta-feira (04/02). A mensagem foi replicada em um vídeo gerado por inteligência artificial, e compartilhado primeiro pela conta “@LoetitiaH”. De acordo com a mesma fonte do governo, esse perfil é conhecido por ser um veículo de propagação da Storm-1516.

O France-Soir divulgou um alerta sobre o site falso nas redes sociais, ainda na noite de quarta, dizendo que não “o site http://france-soir.net não tem nenhuma relação com France-Soir”.

O Viginum associou o site ao CopyCop, uma rede de desinformação ligada a John Mark Dougan, fugitivo americano que vive exilado na Rússia, e que faria parte da infraestrutura digital da rede Storm-1516.

O órgão francês alega que o Storm-1516 está por trás de pelo menos 77 operações de desinformação dirigidas a países ocidentais, incluindo a França.

Ministro envolvido no escândalo

A divulgação de novos documentos sobre o caso Epstein atingiu, no entanto, outra figura da política francesa. O ex-ministro Jack Lang e presidente, desde 2013, do Instituto do Mundo Árabe (IMA), terá de explicar ao Ministério dos Negócios Estrangeiros as suas ligações com o magnata americano morto na cadeia em 2019.

“[Lang] foi convocado pelo ministério e será recebido no domingo”, disse nesta sexta o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot.

Apesar das pressões para se demitir da liderança do instituto, Jack Lang tem recusado deixar o cargo. Depois de declarar, no início da semana, que assumia “plenamente laços passados” com Epstein, o presidente do IMA assegurou que não sabia do passado criminoso do magnata quando o conheceu, “há cerca de 15 anos”, através do diretor de cinema Woody Allen, que também aparece na correspondência privada de Epstein.

Mas as 673 menções ao nome do ex-ministro nos arquivos Epstein já tiveram impacto, incluindo para a filha dele, Caroline, que no início da semana se demitiu da presidência de um sindicato de produtores de cinema após revelações sobre um offshore que ela criou, em 2016, com o magnata americano.

fcl/ra (afp, efe, lusa)