02/05/2026 - 5:10
A baleia-jubarte que encalhou em março na costa marítima da Alemanha, foi solta em alto-mar neste sábado, 2, após uma ousada e polêmica operação de resgate que envolveu o transporte do enorme animal em uma espécie de balsa em formato de aquário, que foi rebocada.
O animal, apelidado de “Timmy” e com 12 metros de comprimento e 12 toneladas, teria deixado a balsa, sem necessitar de ajuda, por volta das 9h (horário local) no Mar do Norte, após ser transportado ao longo de dois dias numa viagem que começou na costa alemã no Mar Báltico e contornou parte da península da Dinamarca.
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Nesta semana, um rastreador foi acoplado à baleia, para que seu progresso seja acompanhado após a soltura.
Na manhã de sexta-feira, a balsa que transportava Timmy teve que retornar temporariamente para o Báltico devido à agitação de ondas no Mar do Norte. A operação para soltar a baleia acabou adentrando a noite, gerando cenas confusas.
A principal dificuldade parecia envolver a posição que o animal ficou após nadar para dentro da balsa nesta semana e o tamanho da embarcação, que não permitia que a baleia se virasse em direção ao mar. Imagens divulgadas pelo tabloide Bild mostraram que a equipe de resgate chegou a tentar puxar a baleia com uma corda para forçá-la em direção ao mar, sem sucesso.
Encalhe na costa alemã
Em 23 de março, Timmy encalhou inicialmente em um banco de areia na costa do estado alemão de Schleswig-Holstein. Após vários dias e uma complexa operação oficial de resgate com o uso de dragas, ela conseguiu se libertar, mas pouco depois encalhou novamente, desta vez na Baía de Wismar, no estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental.
A essa altura, profissionais de resgate envolvidos na operação afirmaram que a saúde do mamífero vinha se deteriorando rapidamente.
As autoridades decidiram então dar um pouco de descanso para o animal para que estivesse recuperado e pronto para aproveitar a subida da maré. Inicialmente, ela se soltou novamente e a operação pareceu ser bem-sucedida, mas logo depois a baleia evitou seguir para o Atlântico, permanecendo novamente em águas rasas no Báltico.
No início de abril, autoridades locais e especialistas envolvidos no resgate perderam a esperança de salvar Timmy e decidiram abandonar os esforços oficiais, apontando que novas tentativas configurariam crueldade animal e disseram que o melhor seria deixar a baleia morrer em paz.
No entanto, a baleia seguiu viva nas semanas seguintes, intensificando o drama e gerando apelos entre o público por mais tentativas de resgate.
Finalmente, na metade de abril, Till Backhaus, secretário do Meio Ambiente de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, anunciou uma mudança de posição em apoio à nova missão de resgate “única”.
Operação bancada por empresários e criticada por especialistas
A nova operação passou a ser financiada com recursos de empresários, entre eles, Walter Gunz, cofundador da rede de varejo de eletrônicos MediaMarkt, que chegou a figurar na lista dos mais ricos da Alemanha.
O empresário não deu ouvidos às críticas de especialistas em baleias e montou a equipe de resgate de acordo com as próprias preferências. Para ele, o risco era inevitável. “Sem tentativa, a baleia certamente morrerá. Tentando, ao menos existe uma chance”, afirmou na ocasião.
Mas a retomada do resgate também gerou críticas na Alemanha. Kim Detloff, chefe da área de proteção marinha da Associação Alemã de Proteção da Natureza (Nabu), afirmou que a iniciativa ocorreu sob forte pressão pública, em detrimento de avaliação científica.
Especialistas também apontaram que mesmo que a operação fosse bem-sucedida em transportar a baleia até as águas mais profundas do Mar do Norte, as chances de Timmy permaneceriam mínimas, destacando que a saúde da baleia se deteriorou ao longo das semanas de encalhe no Mar Báltico.
Um grupo ligado ao Museu Oceanográfico Alemão, por exemplo, apontou o risco de a baleia se afogar após ser solta em alto-mar, apontando que um animal debilitado pode não ter forças para se movimentar livremente e respirar o ar atmosférico.
“O animal parece estar gravemente ferido e é improvável que sobreviva mesmo se for levado para águas mais profundas”, afirmou o painel especializado em encalhes da Comissão Baleeira Internacional (CBI).
A operação privada também foi marcada por desentendimentos entre os envolvidos, com uma veterinária abandonando a iniciativa e acusando dois participantes, entre eles um influenciador, de atrapalhar o resgate.
Desde a última semana de março, jornais alemães acompanharam intensamente as tentativas de regaste da baleia. O animal inicialmente encalhou numa praia chamada Timmendorfer, e isso levou alguns jornais a apelidarem a baleia de “Timmy”.
O drama da baleia-jubarte cativou os alemães, com multidões se reunindo na costa enquanto a mídia enviava atualizações detalhadas sobre seu progresso, com vídeos ao vivo do local.
Segundo as autoridades, a baleia-jubarte vagou pelo Mar Báltico por cerca de três semanas. Não está claro por que a baleia nadou até ali, em águas muito longe de seu habitat natural e cujas características não são adequadas para baleias desse porte.
Alguns especialistas dizem que o animal pode ter se perdido ao nadar atrás de um cardume de arenques ou durante a migração.
