10/04/2026 - 13:26
Um estudo produzido pelo Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP) aponta que galáxias mais massivas pararam de produzir estrelas rapidamente, dentro dos primeiros bilhões de anos da história do nosso Universo. Por outro lado, a Via Láctea continua produzindo estrelas mesmo 13,5 bilhões de anos depois de formada.
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Laerte Sodré Junior, professor titular aposentado, ex-diretor do IAG-USP e orientador de Pablo Araya-Araya, autor principal do estudo, explica que essas galáxias surgiram a partir da fusão violenta entre duas galáxias de tamanho parecido, logo no início de sua formação. Esse choque teria causado dois efeitos principais ao mesmo tempo: um aumento muito intenso na formação de novas estrelas e um crescimento rápido de um buraco negro supermassivo no centro da galáxia.
“Nesse processo, o gás frio é rapidamente consumido, enquanto a energia liberada pelo núcleo ativo aquece o gás do halo ao redor e impede que ele esfrie e seja reincorporado à galáxia, bloqueando o suprimento de matéria-prima para novas estrelas e interrompendo a formação estelar em menos de 1 bilhão de anos”, explica Sodré.
Mapeamento por meio do Telescópio James Webb
Observações recentes do Telescópio Espacial James Webb tem ajudado a mapear melhor as galáxias ricas em formação de estrelas, mas também trouxeram uma surpresa. Há mais galáxias massivas sem formar muitas estrelas no Universo jovem do que os modelos previam. Isso mostra que ainda existem diferenças expressivas entre o que a teoria diz e o que está sendo observado.
Para avançar a pesquisa, os cientistas dependem de modelos mais precisos e novas observações — e instrumentos como o Giant Magellan Telescope serão fundamentais. Com tecnologia mais avançada que a do James Webb, será possível produzir imagens ainda mais detalhadas e ajudar a resolver essas discrepâncias nos próximos anos.
