24/04/2026 - 14:38
Um estudo da Universidade do Texas em Austin, coordenado pelo pesquisador Aaron Sandel, detalhou a fragmentação da comunidade de chimpanzés de Ngogo, no Parque Nacional de Kibale, em Uganda. O grupo, que se dividiu em um conflito interno, protagonizou um dos eventos documentados de maior impacto na primatologia.
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Durante décadas, a comunidade de Ngogo foi monitorada por ser a maior já registrada em ambiente selvagem, mantendo a coesão em um território com abundância de recursos. A partir de 2015, no entanto, a estabilidade social começou a declinar quando membros do grupo passaram a se evitar, formando subgrupos distintos.
Divisão central e ocidental
A separação ocorreu de forma definitiva em 2018, após a morte de indivíduos mediadores, que mantinham a interação social entre as diferentes alas da comunidade. Sem esses elementos de conexão, o distanciamento resultou em hostilidade entre os novos grupos, denominados Central e Ocidental.
Entre 2018 e 2024, pesquisadores registraram um período de confrontos coordenados e ataques letais. Nas disputas territoriais, antigos aliados realizaram agressões que resultaram na morte de sete machos adultos e 17 filhotes. O estudo aponta que fêmeas também integraram as coalizões de ataque.
Guerra civil no reino animal
O caso de Ngogo é o segundo registro de guerra civil entre chimpanzés na história da ciência, assemelhando-se ao evento observado por Jane Goodall na Tanzânia, na década de 1970. Cientistas da Universidade do Texas e de instituições parceiras monitoram o grupo há 30 anos para analisar as causas dessa fragmentação.
Segundo a análise, o colapso de Ngogo permite observar como a organização de violência coletiva contra semelhantes é um comportamento presente em espécies evolutivamente próximas ao ser humano. Os dados coletados por meio de observação direta fornecem subsídios para o estudo da evolução do comportamento social e territorial de grandes primatas.
