Conhecida amplamente como Madonna della Rosa (ou Madonna da Rosa), a obra de Rafael Sanzio pode não ter sido produzida completamente por ele. Uma rede neural de IA corroborou a antiga constatação de que pelo menos alguns dos traços foram feitos por outro artista. Alguns analistas sempre discutiram se a pintura é original de Rafael ou não.

+ Rosto misterioso é encontrado em quadro de Picasso; entenda

+ DNA humano encontrado em obra renascentista pode ser de Leonardo da Vinci

A obra foi registrada no ano de 1667, em um mosteiro na Espanha, e permaneceu no mesmo lugar até que, em 1857, finalmente passou a compor o acervo do Museu Nacional de Arte da Espanha.

A face exposta na obra é a de São José, visto no canto superior esquerdo da pintura. Especialistas observaram que a paleta de cores e a execução de São José a diferenciam de outras figuras. Isso demonstra que outros membros do ateliê de Rafael podem estar diretamente envolvidos na confecção.

“A atribuição à oficina de Rafael foi gradualmente aceita posteriormente e atribuída particularmente ao seu aluno Giulio Romano e possivelmente também a Gianfrancesco Penni. Na Espanha, a atribuição original nunca foi questionada”, explicou o químico da Universidade de Bradford, Howell Edwards.

A mais recente análise, feita por meio de um algoritmo da IA, endosou essa teoria. Além das tonalidades, detalhes mais sutis como os traços das pessoas expostas no quadro, também fazem parte da hipótese.

Reprodução / Crédito: Museu Nacional do Prado / Madonna della Rosa

Como funciona o algoritmo

A máquina necessita ser devidamente treinada com um grande agrupamento de exemplos (dos quais nem sempre estão disponibilizados em obras como essa). O grupo modificou uma arquitetura desenvolvida pela Microsoft chamada ResNet50, em combinação com a técnica tradicional de aprendizado, a Máquina de Vetores de Suporte (SVM).

A técnica já havia comprovado um índice de acerto de 98% na identificação de pinturas atribuídas a Rafael. Tradicionalmente, o modelo é alimentado com imagens completas das obras; desta vez, no entanto, os pesquisadores expandiram a análise para examinar isoladamente os rostos retratados.

 

Reprodução / Heritage Science , 2023 / Museu Nacional do Prado

Enquanto a autoria da Madona, do Menino e de São João é amplamente aceita como sendo de Rafael, a figura de São José permanece sob questionamento. Estudos anteriores sobre a obra já apontavam que o rosto desse personagem apresenta um nível de execução inferior quando comparado aos demais, o que reforça as dúvidas sobre sua autoria.

“Então, testamos as partes individualmente e, embora o restante da imagem tenha sido confirmado como sendo de Rafael, o rosto de José foi considerado como sendo, muito provavelmente, não sendo de Rafael”. 

Um dos aprendizes de Rafael, Giulio Romano, pode ter sido o responsável pelo rosto misterioso, porém esse fator permanece incerto. Acredita-se que Madonna della Rosa tenha sido executada em tela entre os anos de 1518 e 1520. No entanto, foi apenas a partir da metade do século XIX que críticos de arte passaram a levantar a hipótese de que a pintura não teria sido inteiramente realizada por Rafael.

Essas desconfianças ganham forte respaldo. Ainda assim, os responsáveis pelo estudo ressaltam que a inteligência artificial não pretende ocupar o lugar dos especialistas, mas atuar como uma ferramenta de apoio às análises artísticas futuras.