Dois funcionários de imigração envolvidos no assassinato a tiros do enfermeiro Alex Pretti foram postos em licença. Senadores democratas ameaçam paralisar governo em resposta à violência no país.Dois agentes de imigração envolvidos no assassinato a tiros do enfermeiro Alex Pretti em Minneapolis foram afastados de suas funções, disse nesta quarta-feira (28/01) um porta-voz do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês), enquanto o presidente americano, Donald Trump , enfrenta críticas crescentes pelo incidente.

“Os dois agentes envolvidos estão em licença administrativa. Este é o protocolo padrão”, disse um porta-voz em comunicado.

O enfermeiro de UTI Alex Pretti foi baleado várias vezes no sábado, após ser derrubado por agentes camuflados do ICE em uma briga filmada.

Sua morte, que ocorreu semanas após o assassinato de outra manifestante, Renée Good, por um agente do ICE no início de janeiro, provocou indignação nacional e bipartidária.

Trump adotou ultimamente um tom conciliatório e pediu uma “investigação honrosa e honesta” sobre a morte de Pretti e sugeriu que “diminuiria um pouco” a repressão à imigração na cidade, localizada no estado de Minnesota, no norte do país.

Stephen Miller – uma figura poderosa que lidera a política de imigração linha-dura de Trump – disse à agência de notícias AFP na terça-feira que os agentes podem ter violado o “protocolo” antes do tiroteio.

A Casa Branca disse mais tarde que Miller estava se referindo à “orientação geral” para agentes de imigração que operam em Minnesota, não ao incidente específico envolvendo Pretti.

Ameaça de paralisação parcial do governo

Senadores democratas planejam condicionar uma votação sobre legislação orçamentária a exigências por mudanças no ICE, o que pode provocar uma paralisação parcial do governo a partir deste fim da semana.

O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, ainda não detalhou o que seu grupo parlamentar solicitará antes da votação crucial desta quinta-feira. Em pauta está a aprovação da legislação orçamentária que financia o Departamento de Segurança Interna e uma série de outras agências governamentais.

Os democratas se reuniram nesta quarta-feira para discutir várias possíveis exigências, incluindo obrigar os agentes a terem mandados e se identificarem antes de prisões de imigrantes, e prometeram bloquear o projeto de lei orçamentária em resposta à violência.

“Essa loucura, esse terror precisa parar”, disse Schumer, democrata de Nova York, pedindo mudanças imediatas no ICE e na Patrulha da Fronteira dos EUA.

O líder da maioria no Senado, John Thune, republicano da Dakota do Sul, disse que está aguardando que os democratas apresentem suas propostas e sugeriu que eles precisam conversar com a Casa Branca.

Não estava claro o quão seriamente a Casa Branca estava envolvida e se os dois lados poderiam chegar a um acordo sobre algo que apaziguasse os democratas.

Sem negociações evidentes em andamento, uma paralisação parcial parecia cada vez mais provável a partir de sábado.

Democratas avaliam demandas

Enquanto o governo republicano prossegue com sua agressiva intensificação da fiscalização da imigração em todo o país, os democratas discutiram várias demandas potenciais no projeto de lei de segurança interna.

Essas demandas incluem exigir mandados judiciais para prisões de imigrantes, obrigar os agentes federais a se identificarem, acabar com as cotas de prisão, enviar agentes de volta à fronteira e forçar o Departamento de Segurança Interna (DHS) a cooperar com as autoridades estaduais e locais em investigações sobre quaisquer incidentes, como as duas mortes a tiros em Minnesota.

O senador Chris Murphy, de Connecticut, disse que os democratas estão analisando mudanças que “unirão o grupo parlamentar e, acredito, unirão o país”, incluindo o fim das “patrulhas itinerantes” que, segundo os democratas, estão aterrorizando americanos em todo o país.

“Nada disso é revolucionário”, disse Murphy, o principal democrata na subcomissão que supervisiona os gastos com segurança interna. “Nada disso exige uma nova legislação abrangente.”

Schumer e Murphy afirmaram que quaisquer correções devem ser aprovadas pelo Congresso, e não apenas prometidas pelo governo.

md/ra (AFP, AP)