Com a queda abrupta das temperaturas no sul da Flórida, uma cena inusitada voltou a se repetir no inverno deste ano: iguanas-verdes, espécie invasora no estado, passaram a despencar das árvores, imóveis, após entrarem em estado de torpor provocado pelo frio. 

A espécie, nativa do Caribe, chegou ao estado apenas na década de 1960 e, segundo estimativas, atualmente há mais de 1 milhão de indivíduos na região. Ao longo dos anos, elas se consolidaram como uma das principais espécies invasoras da Flórida.

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O fenômeno de queda vem acontecendo devido a uma recente frente fria que atingiu a Costa Leste dos EUA no fim de janeiro e início de fevereiro. Durante o fenômeno, as temperaturas caíram abaixo de 10°C e, em alguns momentos, se aproximaram de 4°C. 

Para animais ectotérmicos, como as iguanas, isso é suficiente para provocar um colapso temporário de suas funções corporais. Incapazes de regular a própria temperatura, elas entram em um estado semelhante à hipotermia, perdem os reflexos e deixam de conseguir se agarrar aos galhos, caindo das árvores.

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E por que não devemos “salvá-las”?

As autoridades alertam que, apesar de ficarem imóveis, as iguanas não estão mortas. Quando as temperaturas sobem, elas recuperam rapidamente a consciência e retomam suas atividades normais. 

Por isso, a FWC (Comissão de Conservação de Peixes e Vida Selvagem da Flórida) desaconselha tentativas de “resgate”, como levar os animais para dentro de casas ou carros. Pois, ao despertar, as iguanas podem se tornar defensivas, usando seus dentes, garras e a cauda para se proteger.

Porém, com a intensificação do frio, a FWC adotou uma medida inédita ao suspender temporariamente as restrições à captura de iguanas-verdes. Pela primeira vez, os moradores foram autorizados a recolher os animais paralisados e levá-los a um dos cinco escritórios da comissão sem a necessidade de uma licença. 

Lá, eles seriam sacrificados de forma humanitária ou, em alguns casos, encaminhados a detentores de licença para comercialização de animais vivos. O prazo desta ação venceu na segunda-feira, 2, e o balanço, divulgado na quarta, 4, revelou que 5.195 iguanas foram removidas sob a Ordem Executiva 26-03.

Normalmente, os moradores só podem matar as iguanas quando as encontram em suas propriedades, mas não têm permissão para transportá-las, desde que o sacrifício seja realizado de forma humanitária, respeitando as leis de proteção animal do estado.

Quais são as consequências 

Conhecido como “atordoamento pelo frio”, esse episódio não é exclusivo das iguanas e se deve ao fato delas estarem em um clima fora de sua área nativa. Sua aparição em calçadas, jardins e varandas, porém, se multiplicou nas últimas semanas.  

Empresas especializadas em remoção de iguanas recolheram centenas de exemplares mortos ou paralisados, e, por mais que o estado da Flórida não mantenha uma contagem oficial, foram relatados ferimentos em humanos por conta dos incidentes nas redes sociais.

Porém, apesar da queda, nem sempre as iguanas ficam gravemente feridas. Segundo especialistas, animais arborícolas estão, em geral, mais adaptados a quedas e o maior risco, na verdade, surge quando as temperaturas frias persistem por longos períodos. 

Nesses casos, a exposição prolongada ao frio pode enfraquecer seu sistema imunológico, tornando-as mais suscetíveis a infecções e aumentando sua mortalidade. Além disso, elas se tornam presas mais fáceis para outros animais, incluindo cães domésticos. 

O perigo da proliferação da espécie

Além de danificar calçadas, muros e residências ao cavar túneis, as iguanas-verdes vêm consumindo plantas nativas importantes da região, como o feijão-de-corda, importante para a sobrevivência da borboleta-azul-de-Miami, espécie ameaçada de extinção.

Por isso, para parte dos especialistas e das autoridades ambientais, a temporada de “queda das iguanas” foi vista como uma oportunidade de controlar a proliferação da espécie invasora na região.