24/07/2026 - 7:26
A Europa enfrenta uma crise climática sem precedentes com incêndios florestais que assolam Espanha, França e Itália. Milhares de pessoas foram evacuadas nesta quinta-feira (23/07) de suas casas devido à rápida propagação do fogo, enquanto o continente se prepara para uma nova onda de calor com temperaturas acima de 40º C. Governos acionaram mecanismos de emergência para lidar com a devastação e proteger a população.
O que aconteceu
- Incêndios florestais na Espanha, França e Itália forçam evacuações em massa e mobilizam milhares de bombeiros.
- Governos europeus declaram estado de emergência e ativam mecanismos de proteção civil da União Europeia em busca de ajuda internacional.
- O aumento na frequência e severidade desses eventos é atribuído às mudanças climáticas, impactando também o nível de rios importantes como Danúbio e Reno.
Apenas no sudoeste da França, na região de Bordeaux, mais de 10 mil pessoas foram evacuadas nesta quinta-feira em meio a um incêndio que se espalhou rapidamente e consumiu 2.000 hectares a oeste da cidade. O mesmo número de evacuados foi registrado perto da capital espanhola, Madri.
A dimensão dos incêndios na Europa
Até o momento, neste ano, os incêndios florestais já queimaram mais área na Europa do que a média anual das últimas duas décadas. Em números totais, no entanto, o ano anterior ainda superou. Desde o começo deste ano, foram queimados quase 255 mil hectares em território europeu, em cerca de 1.250 incêndios. No ano passado, respectivamente, foram mais de 270 mil hectares e mais de 1.300 focos.
Impacto e causas das mudanças climáticas
O continente, por sinal, é o que mais tem sofrido com o aquecimento global em todo o mundo. Especialistas atribuem essa situação principalmente às mudanças climáticas, que estariam tornando eventos climáticos extremos, como ondas de calor e os incêndios florestais, mais frequentes e mais severos.
Espanha declara emergência nacional contra o fogo
A fim de enfrentar com mais precisão os incêndios florestais – com alguns deles totalmente fora de controle –, a Espanha declarou emergência nacional na região de Madri e na província de Ávila, próxima à capital.
A medida visa acelerar a mobilização de recursos para combater o fogo, que forçou cerca de 10 mil pessoas a evacuarem. A decisão também transfere a resposta à crise para a unidade de emergência militar das Forças Armadas espanholas, especializada em socorro durante catástrofes.
Nesta quinta-feira, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, postou na rede social X que “o governo mobilizou todos os recursos disponíveis para conter os terríveis incêndios que atualmente afetam diversas regiões: Ávila, León, Toledo, Madri e outras partes da Espanha”.
Sánchez também visitou uma área devastada pelo fogo em Guadalajara, a nordeste de Madri, onde mais de 30 povoados foram evacuados: “Ano após ano, vemos claramente como as mudanças climáticas matam e destroem a riqueza de nossas comunidades. Isso não é política. É ciência, são fatos”, disse ele.
França aciona mecanismo de proteção civil da UE
Na França, o presidente Emmanuel Macron afirmou que o país acionou o mecanismo de proteção civil da União Europeia (UE) para solicitar ajuda no combate aos incêndios florestais.
“Em breve, contaremos com o apoio de duas aeronaves Canadair da Croácia, dois Air Tractors de Portugal e dois helicópteros Black Hawk de grande capacidade de carga, da República Tcheca e da Eslováquia”, postou Macron na rede social X na madrugada desta sexta-feira.
Cerca de 7 mil pessoas foram evacuadas “por precaução” ao norte de Lège-Cap-Ferret, próximo ao polo turístico da Baía de Arcachon, elevando para 12.000 o número total de evacuados na região, perto de Bordeaux, no litoral oeste da França.
Os incêndios devastaram cerca de 2 mil hectares somente naquela área, segundo informações divulgadas pelas autoridades na quarta-feira.
Itália mobiliza bombeiros no sul do país
Cerca de 6 mil bombeiros, guardas florestais e agentes da proteção civil foram mobilizados em toda a Sicília após incêndios que já duram dias.
O presidente regional Renato Schifani afirmou que cerca de 50 incêndios seguem ativos, apesar do uso de aeronaves no combate ao fogo.
Na Calábria, também no sul do país, já foram registrados mais de 160 incêndios, que autoridades locais classificaram como “criminosos”, que teriam sido propagados por “indivíduos mal-intencionados” por meio de panos com material inflamável amarrados em gatos de rua.
Qual o efeito dos incêndios e da seca nos rios?
O calor e a seca têm baixado também o nível de rios nas últimas semanas. Na Romênia, o Danúbio atingiu seu nível mais baixo desde 1996, o que levou à imposição de medidas para restringir a irrigação aos agricultores e tem prejudicado a navegação comercial e o turismo.
Na Alemanha, o Reno também voltou a baixar, o que segue dificultando a navegação e aumentando o custo do transporte de cargas.
Há uma semana, o baixo nível das águas já dificultava a navegação no Reno e o transporte de mercadorias principalmente rumo ao sul das cidades de Duisburg e Colônia, como no ponto de estreitamento na cidade de Kaub, no estado da Renânia-Palatinado.
Com isso, tem sido necessário distribuir a carga em mais navios, já que a pouca profundidade não permite que as embarcações naveguem com capacidade máxima, o que, consequentemente, aumenta os custos no setor.
