06/04/2026 - 14:50
A missão Artemis II, que deve fazer a aproximação máxima da Lua nesta segunda-feira, 6, conta com um sistema de comunicação sem precedentes para garantir que voz, imagens e dados científicos percorram milhares de quilômetros até a Terra. O sistema permite o diálogo em tempo real com controladores, o envio de dados para decisões críticas, suporte a pesquisas e o contato pessoal dos tripulantes com seus familiares na Terra.
Para viabilizar a operação, a Nasa, a agência espacial americana, utiliza uma combinação de redes tradicionais de rádio e uma nova tecnologia de comunicação por laser, capaz de transmitir volumes de dados até 100 vezes superiores aos métodos convencionais.
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O pilar central dessa conectividade é o programa SCaN (Space Communications and Navigation – Espaço, Comunicação e Navegação, em tradução livre), que coordena duas infraestruturas principais: a Near Space Network e a Deep Space Network (DSN). Enquanto a primeira ofereceu suporte durante o lançamento e a órbita terrestre, a DSN — gerida pelo JPL (Jet Propulsion Laboratory) — assumiu o controle quando a cápsula Orion iniciou a trajetória lunar, utilizando antenas gigantes localizadas nos Estados Unidos, Espanha e Austrália.
O diferencial tecnológico da Artemis II reside no O2O (Orion Artemis II Optical Communications System). Este terminal de comunicação laser permite o envio de vídeos em alta definição e fotos detalhadas por meio de links de luz infravermelha. Segundo a agência, o sistema é uma demonstração de como futuras missões a Marte poderão manter contacto constante com o centro de comando.
“Comunicações espaciais robustas não são opcionais; são o elo essencial que une a tripulação e a equipa de exploração na Terra”, afirmou Ken Bowersox, administrador associado da Direção de Missões de Operações Espaciais da Nasa. Durante a missão Artemis II, imagens inéditas da Lua foram enviadas a centenas de milhares de quilômetros de distância.
Zona sem contato
Apesar dos avanços, a missão enfrentará desafios técnicos inerentes à mecânica celeste. Está previsto um apagão de comunicações de aproximadamente 41 minutos quando a nave Orion passar por trás da Lua. Nesse período, a massa lunar bloqueará os sinais de radiofrequência, impedindo qualquer contacto com o Johnson Space Center, em Houston.
Para mitigar essas limitações em missões futuras, como a Artemis III, a Nasa trabalha com parceiros comerciais, incluindo a “Intuitive Machines”, para desenvolver satélites de retransmissão lunar. O objetivo é criar uma rede de satélites na órbita da Lua que elimine as zonas mortas de sinal e garanta conectividade permanente para os astronautas na superfície.
Confira algumas das imagens enviadas pela a Artemis II




