02/03/2026 - 7:48
Militares israelenses bombardeiam território libanês em resposta a foguetes lançados pela milícia Hezbollah, uma aliada do Irã, matando mais de 30 pessoas.O conflito no Oriente Médio se ampliou nesta segunda-feira (02/03), chegando agora ao Líbano. Em resposta aos lançamento de foguetes contra Israel pelo grupo xiita libanês Hezbollah, militares israelenses atacaram também alvos no Líbano.
Pelo menos 31 pessoas foram mortas e outras 149 ficaram feridas na madrugada desta segunda-feira numa onda de bombardeios lançada por Israel contra os arredores de Beirute e o sul do Líbano, em resposta a um ataque do Hezbollah, que é um aliado do Irã.
A maior parte das vítimas, 20 mortos e 91 feridos, foi registrada no subúrbio da capital conhecido como Dahye, enquanto as outras 11 mortes e 58 feridos ocorreram em consequência dos ataques na região sul do país, comunicou o Centro de Operações de Emergência do Líbano.
O órgão, vinculado ao Ministério da Saúde Pública, afirmou que esse é um balanço preliminar e que o número de vítimas pode aumentar.
Israel lançou na madrugada passada uma intensa onda de bombardeios contra Dahye e o sul do Líbano, o que provocou inúmeros deslocamentos nessas áreas, chegando a congestionar as estradas em direção ao norte.
As ações ocorreram depois que o Hezbollah atacou com foguetes e drones instalações militares no norte de Israel, afirmando ser uma resposta à morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei.
No início da manhã desta segunda-feira, os militares israelenses anunciaram uma nova rodada de bombardeios contra supostos alvos do Hezbollah, incluindo depósitos de armas e infraestrutura.
Israel afirmou ter atingido também membros de alto escalão da milícia.
Israel reivindica superioridade aérea sobre Teerã
No Irã, explosões foram ouvidas em várias partes de Teerã. Na cidade de Sanandaj, na província ocidental do Curdistão, pelo menos três pessoas morreram, segundo a mídia estatal.
Os militares israelenses declararam ter estabelecido superioridade aérea sobre Teerã e estarem bombardeando seletivamente centros de inteligência, segurança e comando na cidade.
Uma fonte interna afirmou que os ataques foram “significativamente mais intensos e abrangentes” do que na guerra de 12 dias entre os dois países em junho passado e que Israel reabasteceu seus estoques de armas nas últimas semanas, não havendo escassez de armamentos ofensivos ou defensivos.
Uma nova leva de reservistas deverá ser convocada nas próximas 48 horas. O chefe do Estado-Maior, Eyal Zamir, alertou a população para “longos dias de combate”.
Americanos mortos
Num ataque a uma base no Kuwait, três militares americanos foram mortos, segundo autoridades dos EUA.
O presidente dos EUA, Donald Trump, descreveu os mortos como “verdadeiros patriotas americanos” e alertou para mais baixas. Em entrevistas no domingo, ele se preparou para um conflito prolongado: a operação militar contra alvos iranianos pode durar pelo menos mais quatro semanas.
Um funcionário da Casa Branca enfatizou que a chamada Operação Fúria Épica continuará. O próprio Trump declarou em vídeo que os ataques continuarão até que “todos os objetivos sejam alcançados”.
Segundo ele, a estrutura de comando iraniana foi destruída. Além disso, nove navios de guerra e uma base naval foram destruídos. No total, aeronaves e navios de guerra americanos atacaram mais de mil alvos desde o início das principais operações de combate no sábado.
Países árabes
A guerra está se alastrando cada vez mais para os países vizinhos. Além do ataque mortal no Kuwait, a base aérea britânica de Akrotiri, no Chipre, também foi atingida por um drone Shahed. Apenas danos materiais menores foram causados, mas este foi o primeiro ataque à base desde um ataque de militantes líbios em 1986.
Testemunhas também relataram explosões em Dubai, em Doha (capital do Catar) e em Samha, a cerca de 50 quilômetros de Abu Dhabi (capital dos Emirados Árabes Unidos). No Kuwait, as defesas aéreas interceptaram drones inimigos, e a embaixada dos EUA alertou seu pessoal sobre possíveis ataques.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã também reivindicou o ataque a três petroleiros americanos e britânicos no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz, bem como a bases militares no Bahrein, com drones e mísseis.
Com os mercados mundiais já abalados pelos combates e os preços do petróleo em alta, a refinaria de petróleo de Ras Tanura, na Arábia Saudita, foi atacada por drones nesta segunda-feira. As defesas abateram as aeronaves invasoras, conforme anunciou um porta-voz militar à agência de notícias estatal saudita.
Vídeos online do local pareciam mostrar uma densa fumaça preta subindo após o ataque. Mesmo drones interceptados com sucesso causam destroços que podem provocar incêndios e ferir pessoas em terra.
Ras Tanura, perto da cidade de Dammam, no leste da Arábia Saudita, é uma das maiores refinarias do mundo, com capacidade para processar mais de meio milhão de barris de petróleo bruto por dia. Ela foi temporariamente fechada como medida de precaução após o ataque, noticiou a televisão estatal saudita.
Irã rejeita negociação
O conflito ocorre após a morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. Para evitar um vácuo de poder, um conselho de liderança assumiu as funções do líder de 86 anos que comandava o regime desde 1989.
O conselho inclui o presidente Massoud Pezeshkian, o chefe do Judiciário, Mohseni Ejei, e o aiatolá Alireza Arafi.
O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, um conselheiro próximo de Khamenei, rejeitou negociações com os EUA. Trump tem “ambições delirantes” e agora está preocupado com as perdas dos EUA, escreveu ele na plataforma X.
A Casa Branca, no entanto, sinalizou sua disposição para conversar caso uma nova liderança seja estabelecida.
Trump pediu que as forças de segurança iranianas se rendam e prometeu imunidade, mas ameaçou com “morte certa” qualquer resistência e incitou a população à revolta contra o regime.
O conflito teve um grande impacto na economia global. O tráfego aéreo na região foi parcialmente paralisado, inclusive no importante centro de Dubai – uma das interrupções mais graves no transporte aéreo mundial.
md/as (Efe, Reuters, AP)
