Jürgen Klopp, renomado técnico ex-Liverpool e Borussia Dortmund, é o novo comandante da seleção alemã de futebol, assumindo a equipe após a decepcionante campanha na Copa do Mundo. Aos 59 anos, ele foi oficialmente apresentado pelo presidente da Federação Alemã de Futebol (DFB), Bernd Neuendorf, e assinou contrato de quatro anos nesta sexta-feira (24/07) na sede da entidade, em Frankfurt. Klopp chega com a missão de reverter o cenário e implementar um novo estilo de jogo no time.

O que aconteceu

  • Jürgen Klopp assume o comando da seleção alemã de futebol, com a tarefa de reverter o desempenho do time após o fracasso na Copa do Mundo.
  • O novo técnico planeja implementar um estilo de jogo ofensivo, com zaga de quatro e foco nas alas, além de renovar o elenco e a comissão técnica.
  • Entre os desafios de Klopp estão a definição do goleiro titular e a preparação para a Eurocopa de 2028 e a Copa do Mundo de 2030.

Após mais uma campanha desastrosa numa Copa do Mundo, a seleção alemã de futebol, sob o comando de Jürgen Klopp, busca reverter o cenário. O ex-treinador de Liverpool e Dortmund, que assume o posto de técnico, terá a missão de definir em quais jogadores apostar e como será o estilo de jogo do time.

Klopp, que completa 60 anos este ano, assume a equipe no lugar de Julian Nagelsmann. Nagelsmann comandou a Alemanha nos últimos três anos, marcados por mais baixos do que altos, apesar de algumas atuações promissoras e a chegada às quartas-de-final da Eurocopa 2024, disputada na Alemanha.

Um novo ciclo na seleção alemã

Durante sua apresentação, Klopp expressou o compromisso de se dedicar integralmente à missão. “A seleção é capaz de unir nós, alemães, como quase nenhuma outra coisa. Isso é especial para mim. Estou ansioso por essa missão, que enfrentaremos juntos, com humildade e paciência, formando uma equipe em que um lute pelo outro, com prazer de jogar futebol e pela qual as pessoas possam se unir com convicção”, argumentou o novo técnico.

A trajetória vitoriosa de Klopp

Jogador profissional do Mainz 05 até 2001, Klopp iniciou sua carreira de treinador no mesmo clube, permanecendo no cargo até 2008. Foi no Borussia Dortmund, entre 2008 e 2015, que ele ganhou destaque global, conquistando duas Bundesligas (Campeonato Alemão) e a Copa da Alemanha, além de chegar à final da Liga dos Campeões.

Entre 2015 e 2024, ele comandou o Liverpool, clube pelo qual acumulou inúmeros títulos, incluindo a Liga dos Campeões, o Mundial de Clubes, a Premier League (Campeonato Inglês), a Copa da Inglaterra e a Copa da Liga Inglesa.

Como comentarista da TV alemã durante a Copa do Mundo deste ano, Klopp foi enfático após a decepcionante eliminação da Alemanha nos pênaltis para o Paraguai, em partida das oitavas de final. “Precisamos mudar várias coisas de forma radical, imediatamente”, declarou na ocasião, um prenúncio de sua futura atuação.

O que precisa mudar na seleção?

Há pontos cruciais a serem melhorados tanto dentro quanto fora de campo. Do ponto de vista puramente esportivo, é fundamental estabelecer um estilo de jogo claro, além de injetar mais ritmo e criatividade na construção das jogadas. Primeiramente, a questão do goleiro precisa ser resolvida. Manuel Neuer foi convocado após se aposentar da seleção em 2024, mas Oliver Baumann havia sido o titular durante a maior parte da preparação para a Copa. Além disso, a busca por um lateral-direito de alto nível e um artilheiro confiável é prioritária.

Sob o comando de Julian Nagelsmann, a comunicação e a confiança foram abaladas antes e durante a última Copa. A decisão – aparentemente unilateral – de convocar Neuer gerou controvérsia. Suas aparições na televisão ou em coletivas de imprensa, nas quais criticava individualmente os jogadores, também não contribuíram para um ambiente positivo.

O estilo de jogo e as peças-chave

Desde que Jürgen Klopp trabalhou na Inglaterra, o termo “gegenpress” se popularizou no vocabulário do futebol, dada a sua estratégia de pressionar a saída adversária com marcação alta e ataques diretos após a recuperação da posse de bola. Analistas preveem que Klopp implementará esse estilo de jogo também na seleção.

De modo geral, o técnico prefere um futebol ofensivo e criativo. Ao contrário de Joachim Löw – campeão do mundo pela Alemanha em 2014 –, Klopp não considera o estilo espanhol, com posse de bola excessiva, como o ideal. Logo em sua primeira aparição como novo técnico da seleção alemã, ele anunciou dois pontos importantes: “Vamos ter uma zaga com uma linha de quatro e vamos jogar com alas, pois os craques de hoje estão nos flancos”, afirmou.

Qual será o futuro dos jogadores veteranos?

A questão principal é se haverá uma mudança radical e um recomeço total, ou se Klopp aproveitará a estrutura existente da atual seleção. Para alguns jogadores da geração com mais de 30 anos, a situação pode se complicar. O meio-campista Pascal Groß, 35 anos, provavelmente não terá mais chances, e o zagueiro Antonio Rüdiger, 33, também corre o risco de não ser mais convocado.

Klopp conta com um elenco amplo de jogadores experientes, entre 25 e 31 anos, que ainda são aptos para os próximos dois ciclos de torneios. No entanto, mesmo nessa faixa etária, é provável que alguns fiquem de fora das próximas convocações já a partir de setembro. No caso de Leon Goretzka e Leroy Sané (ambos com 31 anos), por exemplo, seria compreensível que não fossem mais chamados, já que existem alternativas mais jovens e, potencialmente, melhores.

Uma das medidas mais importantes, provavelmente, será Klopp recolocar o capitão Joshua Kimmich na posição de volante, onde ele forma uma dupla excepcional ao lado de Aleksandar Pavlovic no Bayern de Munique. Nos últimos tempos, Kimmich vinha atuando na lateral direita, posição que gerou muitas críticas.

A tendência é de que a formação inicial deva contar com Jonathan Tah e Nico Schlotterbeck na zaga, Kimmich e Pavlovic na primeira linha do meio-campo, além de Florian Wirtz, Jamal Musiala e Kai Havertz no setor ofensivo. O restante, a exemplo de um goleiro titular, ainda está em aberto.

“Tenho um monte de ideias. Todo mundo que tem direito de jogar pela seleção deve se esforçar. É um recomeço. Jogadores que nem imaginam que terão essa chance vão recebê-la”, avisou Klopp na apresentação, deixando a porta claramente aberta para novos talentos.

Quem será o novo goleiro?

Embaixo das traves, as mudanças são certas. Manuel Neuer, após a Copa do Mundo, anunciou sua aposentadoria definitiva da seleção. Mas ainda não está definido em qual dos muitos candidatos Klopp vai apostar.

Seria esperado do novo técnico apostar em um goleiro titular confiável e mais jovem, que possa se adaptar nos dois anos que antecedem a Eurocopa de 2028, e que também esteja disponível para a Copa do Mundo de 2030, atuando no mais alto nível.

Oliver Baumann, que era o titular antes de Neuer reaparecer, tem 36 anos e, portanto, parece um pouco avançado em idade para isso. Seu antecessor, Marc-André ter Stegen, 34 anos, possui um longo histórico de lesões e planeja recomeçar na próxima temporada – possivelmente no Ajax, de Amsterdã. Outro candidato é Alexander Nübel, 29 anos, que deixou a Bundesliga e se transferiu para o Beşiktaş, de Istambul, na Turquia.

No entanto, é possível que Klopp prefira uma opção mais jovem e aposte em um goleiro com menos experiência, do qual poderá se beneficiar mais tarde. Neste caso, Jonas Urbig, 22 anos, do Bayern de Munique, e Noah Atubolu, 24, seriam candidatos. Atubolu deixou o Freiburg e segue procurando um novo clube. Urbig, entretanto, poderá ser a escolha lógica somente quando substituir Neuer como titular no gol do Bayern.

Quem compõe a nova comissão técnica?

Klopp levará para a seleção dois assistentes de sua confiança: Peter Krawietz e Pepijn “Pep” Lijnders. Krawietz trabalha ao lado de Klopp praticamente desde a época do Mainz, tendo sido auxiliar técnico no Dortmund e no Liverpool. Mais recentemente, também esteve com Klopp na direção global de futebol do grupo Red Bull.

O holandês Lijnders foi, por muitos anos, o principal assistente de Klopp no Liverpool. Além disso, seu ex-assessor, Marc Kosicke, passa a integrar a equipe como assistente técnico responsável por estratégia, desenvolvimento e inovação.

Sven Bender, ex-jogador da seleção e que atuou sob comando de Klopp no Borussia Dortmund – clube pelo qual o ex-volante conquistou a Bundesliga em 2011 e 2012 –, também será assistente. Após encerrar a carreira de jogador, Bender atuou como auxiliar técnico da seleção alemã sub-16 em 2022 e 2023.

Metas ambiciosas para o futuro

Se depender da DFB, a Alemanha já deverá estar em condições de disputar o título do Campeonato Europeu de 2028. A conquista da Copa do Mundo de 2030 também está claramente entre os objetivos da federação.

Klopp, porém, não quis se comprometer com metas específicas. Ele não afirma que a Alemanha será campeã mundial em 2030, mas deseja fazer de tudo “para que possamos ser”. “Tenho vontade de trabalhar com jogadores que queiram praticar um futebol que agrade a todos”, afirmou o técnico.

Nem sempre o sucesso é imediato, mas Klopp busca conquistar algo com a seleção “para que as pessoas voltem para casa depois do jogo e digam: “uau! Foi realmente incrível!””.

Se depender de sua trajetória como técnico, Klopp inicia mais um caminho promissor. Foi assim no Mainz, no Borussia Dortmund e no Liverpool, embora suas equipes sempre tenham necessitado de um tempo para ajustes antes de alcançarem o desempenho ideal.

Klopp não terá esse tempo estendido com a seleção. Já no primeiro jogo, em setembro, contra a Holanda, ele fará sua estreia em uma partida oficial da Liga das Nações da UEFA.

Da IstoÉ